Mil e sessenta e sete canditatos fizeram ontem a prova para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Natal, Mossoró e Caicó. Momentos antes da prova, com muitos deles ansiosos, os bacharéis se diziam empenhados em reverter o já tradicional baixo índice de aprovação no exame - que está em cerca de 20% e tem gerado polêmica em torno da qualidade dos cursos de Direito oferecidos no estado.
Missão difícil: bacharéis em Direito tentam ser aprovados no exame para poder exercer a advocacia Foto: Maria Iglê/Especial/DN/D.A Press
Com o exame dividido em duas fases, ontem a prova foi de múltipla escolha, com cada questão oferecendo quatro opções de resposta. Entre as disciplinas, estão o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, Direito Ambiental, Direito Internacional, Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina da OAB. Na segunda fase, os candidatos devem fazer uma redação profissional e responder a cinco questões práticas, na forma de "situação-problema". A redação profissional e as questões práticas são sobre a área do Direito escolhida pelo candidato na inscrição.
Antônio Alves, 24 anos, um dos que aguardavam fazer a prova, comentou que o baixo índice de aprovação nos exames de ordem se devem a dois fatores: o grande número de cursos de Direito existentes na cidade e a falta de empenho de parte dos alunos. "Só vemos a quantidade de cursos crescerem e sem oferecer a qualidade que a formação de advogado requer", diz ele.
Quem também bate na tecla da falta de um maior interesse nos estudos por parte dos alunos é Rebeca Brandão, de 21 anos, que está fazendo a prova amparada por uma liminar, pois ela só se forma no final do ano. "Boa parte dos alunos não tem noção da profundidade que os estudos jurídicos requerem e fazem o curso de qualquer jeito, sem muita seriedade", critica. Mas acrescenta que a OAB vem promovendo um "afunilamento" nas provas e a tendência é, cada vez mais, que somente os mais aptos consigam a aprovação.
Segundo Ézio Pereira Filho, 38 anos, a causa maior do baixo índice de aprovação dos bacharéis é devido à inclinação das universidades para o ensino acadêmico, ou seja, pouco voltado para o mundo da prática. "A prática da advocacia, consequentemente a prova da OAB, depara o profissional com várias situações que não são disutidas nas univerdidades", afirma ele. Ele também fala que há poucos professores advogados nos cursos, sendo mais comum se ver juízes e promotores no ensino. Quanto à qualidade dos cursos existentes, ele fala que a OAB critica a grande oferta destes mas fala que ela mesma é responsável por isso, pois aprova a atuação deles. "Para que o MEC aprove um curso, ele precisa do aval da OAB", finaliza.
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Edição de segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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