A pressão dos comerciantes da Avenida Afonso Pena contrários à implantação do projeto Via Livre surtiu efeito parcial. A retirada dos veículos estacionados rente ao canteiro central da pista foi adiada para janeiro. A mudança na data foi um pedido dos empresários por conta das vendas de fim de ano. Em contrapartida, os comerciantes ficarão responsáveis pela recuperação e manutenção dos canteiros.
A vice-presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes da Afonso Pena, Ivone Freire, disse que não houve imposição da prefeitura para que os empresários bancassem os custos da reforma dos canteiros. A atitude, no entanto, revela a tentativa de sensibilizar o poder público. Ela frisa que o Via Livre não será adiado, uma vez que outras ações do projeto, como a substituição do sistema de iluminação da via e de algumas árvores condenadas nos canteiros, serão realizadas a partir da próxima segunda-feira, 19 de outubro, como estava previsto. "O que vai acontecer é apenas uma inversão de ações. O projeto não foi adiado, apenas a retirada dos veículos será feita a partir de janeiro", explicou.
Encontro
Porém, a decisão sobre o acordo só será definida em uma reunião que acontecerá às 15h de hoje entre o secretário de Mobilidade Urbana, Kelps Lima, e os empresários. Kelps afirmou que a parceria só terá condições de ser firmada se os empresários financiarem a execução do projeto Via Livre, que inclui o reordenamento do estacinamento e a inclusão de câmeras. "Eles já sinalizaram com a possibilidade de custear o projeto que custa em torno de R$ 150 e 200 mil, mas o reordenamento do estacionamento será em janeiro. Isso é inevitável", admite o secretário.
Desinfomação
O Diário de Natal esteve ontem pela manhã na Avenida Afonso Pena e constatou que vários comerciantes ainda não foram informados sobre o projeto de recuperação e manutenção dos canteiros que terão que ajudar a custear. A maioria reclama da implantação do ViaLivre e sugere a redução do recuo do canteiro central da avenida para abrir vagas de estacionamento.
O proprietário da Casa de Farinha Potiguar, Wilson Jr., é um deles. Recém-chegado à Afonso Pena, tem medo de falir por conta da falta de vagas na rua.
Para ele, a ausência de estacionamento vai afetar, inclusive, as ruas adjacentes. Wilson se queixa da falta de educação dos motoristas que ocupam vagas destinadas aos clientes das lojas e não dão satisfação. "Abri há três meses, não sabia desse projeto e estou muito preocupado. Fiz um financiamento para pagar os custos da obra que tive de fazer e não sei mais se vai dar. E isso sem falar na falta de consciência da população. O pessoal do Banco do Brasil e dos hospitais param nas minhas vagas e alguns só voltam à noite. Tenho que interromper meu trabalho para ficar pastorando os veículos", afirmou.
Falta de interesse
A desinformação dos empresários foi confirmada pela vice-presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes da avenida Afonso Pena, Ivone Freire. Ela admite que boa parte dos comerciantes está desmobilizada. O desinteresse, segundo Ivone, teria sido provocado pela falta de diálogo dos empresários com o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Kelps Lima. "Ele diz que está aberto ao diálogo, mas as pessoas saíam das reuniões muito desanimadas. O secretário não dialogava. Tentei envolver as pessoas no máximo, chegou uma determinada hora em que fiquei chamando os comerciantes para participar do processo e muitos diziam que não iam mais porque quando o poder público quer fazer alguma coisa vai lá e faz", disse.
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Edição de sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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