Colunas Edição de sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Editorial
Crescimento insuficiente
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de setembro trouxeram notícias positivas para os trabalhadores do RN. Naquele mês, foram criados 4.421 empregos com carteira assinada, resultado muito próximo dos 4.593 criados em setembro do ano passado, antes de a crise econômica mundial surgir como um terremoto e ceifar milhares de postos de trabalho. No Brasil, a tendência foi a mesma: o país criou 252.617 empregos formais, retornando ao patamar de empregabilidade pré-crise. Com isso, o ano de 2009 já viu a criação de 932.651 vagas, elevando o número de trabalhadores celetistas para quase 33 milhões, maior estoque da história segundo o Ministério do Trabalho.
Os dados permitem olhar o futuro imediato com alguma esperança. Porém, o ritmo de criação de empregos tem sido absolutamente insuficiente para pessoas como o morador de rua Linaldo Gomes de Jesus, 41 anos, personagem de matéria publicada ontem por este Diário de Natal. Há três anos, ele mora embaixo da marquise de uma loja, atrás da Catedral Metropolitana de Natal, porque não conseguiu trabalho fixo. Sobrevive de bicos: vigia e lava carros. Sintomaticamente, sobre do mesmo mal que prejudica tantos outros candidatos a emprego: sabe apenas assinar o nome, condição que lhe fecha as portas do mundo globalizado.
Assim como Linaldo, que veio de Salvador tentar a vida no RN, 80% dos moradores de rua da cidade são oriundos de outros municípios ou estados. É o que mostram os resultados preliminares da pesquisa "Levantamento da Situação de Rua do Município de Natal", que está sendo realizada pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semthas). Os primeiros números indicam que 85% desta população têm entre 18 e 59 anos, 10% estão na faixa até 17 anos e 5% são idosos.
Trata-se de problema complexo. O universo pesquisado inclui pessoas que moram na rua por opção e outras que foram levadas a abandonar suas casas, por problemas familiares, violência doméstica e abuso de drogas. Este ano, a prefeitura chegou a pagar a passagem para que 42moradores de rua retornassem a suas cidades de origem. Um deles foi à longínqua Porto Alegre.
Ou seja, a aceleração do crescimento econômico e da geração de empregos registrada nos últimos anos são bem-vindos, mas insuficientes para milhares de brasileiros como Linaldo de Jesus. O poder público e a sociedade ainda têm um longo caminho a percorrer até que a imensa parcela excluída da população brasileira passe efetivamente a fazer parte do processo produtivo. E possa se libertar da dependência dos programas compensatórios e assistencialistas dos órgãos oficiais, exercendo sua cidadania com mais plenitude.
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