Esportes Edição de quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Ex-presidiários trabalharão nas obras da Copa de 2014
Comitê e Conselho Nacional de Justiça assinaram convênio para uso da mão de obra na construção dos estádios
O comitê organizador da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil, assinou ontem um acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que ex-presidiários trabalhem na construção ou reforma dos 12 estádios que sediarão jogos da competição. O acordo foi assinado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro.
Ricardo Teixeira assinou acordo ontem com o ministro Gilmar Mendes Foto:Marcelo Ferreira/CB
O programa, que tem como objetivo a reinserção dos presos na sociedade, pedirá às empresas do setor de construção que reservem uma parte dos postos de trabalho para ex-presidiários que estejam com situação resolvida na Justiça. "Não obrigaremos ninguém a isso, mas tenho certeza de que as empresas atenderão a solicitação do comitê", afirmou Ricardo Teixeira a jornalistas após a cerimônia.O dirigente destacou que o Mundial criará milhares de empregos que servirão como "porta de saída para quem se perdeu no caminho" e considerou que o programa servirá para "materializar o conceito de Justiça cega e independente". Gilmar Mendes revelou que a iniciativa partiu do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, durante uma visita a Brasília ano passado, durante o Mundial de futsal.
Valcke conheceu o programa brasileiro de reinserção "Começar de novo" e viu a oportunidade de aplicá-lo na organização do Mundial, segundo o presidente do Supremo. Além de oferecer emprego aos ex-presidiários na construção civil, o programa prevê o oferecimento de cursos de formação profissional nas penitenciárias. O "Começar de novo" é parte de um programa mais amplo do CNJ para estudar a situação penal dos condenados e facilitar a reinserção daqueles que estão na cadeia por crimes que não cometeram - situação de 30% dos 450 mil presos do Brasil, segundo dados do conselho. Desde o início da campanha, em agosto de 2008, foi revista a situação de 68 mil pessoas, com 12 mil colocados em liberdade e outros 8 mil obtendo benefícios como a redução da pena.
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