Senador Elói de Souza, Nísia Floresta, Pedro Velho e João Câmara. Qual a ligação existente entre essas pessoas? Além de serem personagens da história do Rio Grande do Norte, eles são exemplos de cidades potiguares que foram batizadas com nomes de personalidades. A lista não termina por aí. Entre politicos, militares e até uma escritora, em cada uma das regiões do estado, existe um exemplo. Em terras potiguares, dos 167 municípios, pelo menos 34 deles têm nome e sobrenome.
Igreja matriz de Nísia Floresta, cidade que antes de ganhar o nome da poetisa e militante femininsta, chamava-se Papari Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
Às margens do Rio Jundiaí, nas proximidades de Serra Caiada ou Caiada de Cima, como também era conhecida, surgiu um povoado que foi chamado pelos seus habitantes de Caiada de Baixo. No começo do século 19, quando teve início o povoamento, as terras já eram utilizadas para lavoura e pecuária. Na busca pela sua autonomia política o povoado de Caiada de Baixo passou pela posse de vários municípios. Pertenceu até 1833 a São Gonçalo do Amarante.
Nos idos de 1874 fazia parte de Macaíba, e em1953 passou a integrar Serra Caiada.
No dia 31 de dezembro de 1958, através da Lei no 2.355, a localidade desmembrou-se de Serra Caiada, com o nome de Senador Elói de Souza, numa homenagem ao líder político que esteve sempre à frente no combate às secas que assolavam a região. A cidade fica no Agreste, a 59km de Natal, e tem cinco mil habitantes.
Quem também acabou ganhando nome de pessoa foi Nísia Floresta, cidade localizada na Grande Natal, a 63km da capital, atualmente com 33 mil habitantes. Antes denominada Papari, recebeu o nome de sua mais ilustre filha, a escritora e poetisa, após o seu falecimento. Considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava, Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, índios e escravos.
Decisão casual
Já Pedro Velho (no Litoral Sul, a78km de Natal), segundo o historiador Câmara Cascudo, não apresenta nenhuma ligação com o político que acabou lhe dando o nome. No livro Nomes da terra: geografia, história e toponímia do Rio Grande do Norte, publicado pela Fundação José Augusto em 1968, Cascudo explica que a cidade foi antes um sítio que foi prosperando até se tornar Vila Nova de Cuitezeiras, lugarejo que acabou ficando debaixo d'água com a cheia do Rio Curimataú em 1901. "A população instalou-se num plano elevado e recomeçou a criar outra Vila. Em dezembro de 1907, falecia Pedro Velho (1856-1907), organizador do Estado Republicano. Aos correligionários saudosos e gratos, seu nome, era a solução emocional e lógica", explica Cascudo. Hoje, o município tem cerca de 13 mil habitantes.
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Atualizado em 25|10|2009
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