Turismo Edição de segunda-feira, 26 de outubro de 2009
No caminho do ritmo
Declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o tango inspira roteiro por Buenos Aires
Frederico Bottrel
Buenos Aires - Há quem diga que o compasso do tango pode ser percebido no caminhar dos homens, mulheres, idosos e até das crianças nas ruas de Buenos Aires. Vale o teste: se você sair pela capital argentina com um mapa na mão e um fone de ouvido abastecido com Carlos Gardel, tudo vai parecer um videoclipe - ao mesmo tempo divertido, melancólico, romântico e triste. Contraditório assim mesmo e sempre passional, como a música e dança portenha que acaba de se tornar Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, declarado pela Unesco.
Casa Rosada, sede da Presidência da República Argentina, é um ponto turístico imperdível para todos os visitantes Foto: Silvia Porto/Divulgação
O único jeito de visitar a cidade e fugir do tango é ficar enfurnado no hotel (não ligue a TV também). Mesmo que você não compre nenhum ingresso para os shows, os artistas de rua vão estar no seu caminho, e sempre haverá admiradores (os locais observam, os turistas fotografam) fazendo rodinha no meio da rua. Por que tanta veneração? "O tango retrata emoções que são muito próprias aos habitantes das cidades que ficam às margens do La Plata" é a resposta de Pablo De Angelis, cônsul-adjunto da República argentina em Belo Horizonte. Ele, assim como a Unesco, divide a "culpa" do tango entre Buenos Aires e Montevidéu.
A origem é imprecisa, especula-se que a música tenha nascido como uma manifestação marginal, entre marinheiros e prostitutas. Hoje já é produto turístico, bem no centro das atenções. E você pode escolher como quer experimentar: de grandes shows, com muitos bailarinos e orquestras de arrepiar, a produções mais intimistas, que vão lhe custar menos dólares, com certeza.
Diferentemente do que se pode imaginar, a transformação do tango em produto não é prejudicial às raízes da manifestação, segundo Pablo: "Não há desvirtualizações, o que acontece é que agora as pessoas se preocupam com o tango, lhe dão atenção". A declaração da Unesco é mais um fator nessa soma. Ele também defende que o tango é fonte de renda para muitos argentinos, uma verdadeira saída pontual para os complicados contextos sociais e econômicos dos últimos tempos. Agora, se a ideia é conhecer afundo a forma como os argentinos de verdade se entregam ao tango, a pedida são as milongas - se não têm a grandiosidade dos espetáculos, é incontestável o charme das coisas genuínas.
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