Questionado quanto ao motivo pelo qual teria matado o casal Maria da Conceição Moura, 44 anos e Francisco de Assis Bezerra, 24, além da a mãe deste último, Francisca Bezerra, 52, no último sábado, o auxiliar de garçom Antônio Gilvan da Silva, 24, responde apenas que "estava sendo ameaçado". Ele foi preso ontem pela manhã, no
Antônio Gilvan da Silva teria cometido crime em casa da Zona Norte de Natal Foto: Fotos: Carlos Santos/DN/D.A Press
município de Angicos, a 171km de Natal, na casa de parentes. Segundo o delegado Marcio Delgado, da Divisão Especializada de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), o acusado diz não lembrar ao certo da cena do crime e nega ter usado alguma faca. "Ele lembra de ter usado apenas uma cadeira". O acusado ainda teria tentado se matar após o crime.
Antônio Gilvan não comenta que tipo de ameaças estaria recebendo. Segundo o delegado, o auxiliar de garçom é acusado de ter matado, com golpes de algo semelhante à faca no pescoço, três pessoas que estavam em uma casa na Rua Ministro Isaías Herculano, no bairro de Nova República, Zona Norte de Natal, por volta das 5h do sábado. Ainda na manhã após o crime, a polícia fez uma perícia na casa do acusado, próxima de onde ocorreu o assassinato. "Não chegamos a encontrar no local a arma do crime".
A polícia encontrou ainda na casa do acusado um lençol pendurado no teto, que indica que ele teria tentado se suicidar. Antônio Gilvan admite a tentativa, dizendo-se ter se arrependido do que fez. "Mas o lençol se rompeu". Desde a manhã do sábado ele estava foragido. A polícia, no entanto, descobriu que o auxiliar de garçom teria ido se refugiar na casa de parentes em Angicos. Com isso, Marcio Delgado e sua equipe, que estavam em uma região próxima, foram acionados para realizar a prisão.
Segundo o delegado, Antônio Gilvan estava sozinho no esconderijo. "A própria família fugiu, com medo dele. Sabia que ele estava ali por algum motivo". Desde a noite do domingo a polícia fez o cerco, e, por volta das 4h30, invadiu o local e prendeu o acusado, que não ofereceu resistência. Após a prisão, ele foi encaminhado para Natal, para ser autuado em flagrante.
Investigação
O delegado geral de Polícia Civil, Elias Nobre, revela que ainda há uma outra hipótese da motivação sendo investigada. "Ele era íntimo da família morta. Recebemos a informação de que o casal teria juntado um dinheiro para comprar um carro. Ele deve ter tomado conhecimento e pode ter feito isso para roubar o dinheiro". Segundo o delegado geral, o inquérito transcorrerá ainda pela Deicor, mas receberá um apoio da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos para apurar a última hipótese.
Psicopata
Para o delegado Elias Nobre, o auxiliar de garçom possui o perfil de psicopata. Inclusive, de acordo com Marcio Delgado, o acusado cumpre pena em regime semi-aberto por ter matado uma namorada de apenas 16 anos em setembro de 2004, crime pelo qual recebeu a pena de sete anos de prisão. Antônio Gilvan permanecerá detido, aguardando decisão judicial.
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Edição de terça-feira, 27 de outubro de 2009
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