Economia Edição de terça-feira, 27 de outubro de 2009
Confusão na última semana do PPI
Quem deixou para negociar as dívidas com a prefeitura no fim do prazo encontrou o atendimento tumultado na Semut
Renato Lisboa // renatolisboa.rn@diariosassociados.com.br
Muita confusão, tensão e nervosismo entre servidores e contribuintes estão marcarando a última semana para as pessoas quitarem suas dívidas com o fisco municipal através do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI). O titular da Secretaria Municipal de Tributação de Natal (Semut), Francisco de Paula Schetini, reconhece os
Recepção da secretaria: guichês lotados, aparelhos em pane e gente estressada Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
problemas e diz que já pediu reforços na Central do Cidadão para dar um atendimento mais satisfatório. Os devedores têm até a próxima sexta-feira para parcelar seus débitos com desconto.
Ontem pela manhã, uma pane na máquina que emite o número da senha, o painel de contagem sem funcionar e a falta de espaço físico suficiente para atender à demanda gerou muita insatisfação na sede da Semut, no Centro. O número que o contribuinte recebe logo na chegada para ser atendido é manuscrito, o que deu margem para algumas pessoas desconfiarem de fraude. Um senhor enfurecido chegou a chamar em voz alta um homem de "fraudador", pois ele teria adulterado o número da senha para "furar a fila".
"Eu vi o número dele anterior e ele seria atendido depois de mim. Para minha surpresa está lá o rapaz no guichê de atendimento, na minha frente", disse o homem. O contratempo deixou uma atendente, servidora da Semut, muito nervosa; e ela começou a chorar. Disse que estava de licença prêmio, foi trabalhar por vontade própria e ficou sobrecarregada de trabalho.
Vendo a confusão e irritado porque o contribuinte alertou sobre fraude na fila, outro servidor se levantou e disse que se as desconfianças continuassem, eles ficariam sem atender. As pessoas retrucaram e cobraram providências da gestão do órgão para resolver os contratempos. Um grupo de funcionários da Semut chegou para acalmar os ânimos, garantindo que não houve "fura fila" porque ninguém apareceu com número que seria o da vez. Logo depois, outro servidor surgiu e disse que o rapaz foi atendido no guichê, mas não seria dada entrada do documento dele no protocolo, sugerindo que o homem realmente teria "furado" a fila.
Logo depois, o monitor que controla as chamadas apagou e a sequência do atendimento foi dada pelas próprias pessoas que estavam esperando na sala. Enfim, a situação parecia mais um pregão viva-voz na Bolsa de Valores (por sinal, até o pregão viva-voz foi extinto há dois meses e hoje a única categoria de pregão é eletrônico).
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