Colunas Edição de terça-feira, 27 de outubro de 2009
Editorial
Alcance das alternativas
Aeconomia dos dias de hoje mostra como a soja se adapta às necessidades tecnológicas da produção em grande escala. Isto só a muito custo se observa com as demais culturas, que se destinavam a complementar o esforço pela auto-suficiência do Brasil em biocombustíveis.O Brasil dispõe de um vasto leque de culturas agrícolas que se consideram propícias à produção de biocombustíveis.
Os comentaristas especializados mencionam a mamona, o pinhão manso, a palma, o girassol, o dendê e a soja como as plantas que, devidamente desenvolvidas, podem coonestar o esforço dos agricultores a construir, no país, uma área da qual possamos partir para a verdadeira alternativa em termos de combustíveis. É claro que as diversas culturas não se acham todas quantificadas, no sentido de que se venha a saber qual, na realidade, a contribuição de cada uma delas ao esforço nacional em favor da produção dos biocombustíveis.
Nos últimos três ou quatro anos, a soja experimenta espécie de avanço avassalador. Segundo estatística divulgada pelo Ministério de Minas e Energia - (MME), o óleo de soja veio de ser responsável por 78,7% do total do biodiesel produzido no país, no passado mês de julho. O sebo bovino foi a segunda matéria-prima utilizada, representando 14,6% do total. O óleo de algodão ficou emterceiro lugar, responsabilizando-se por 4,1%. As demais fontes figuraram nas estatísticas em apreço como irrelevantes, aí entrando, naturalmente, a mamona, a palma, o dendê e demais.
Talvez tenha havido engano a respeito da ligeireza conforme poderia se manifestar entre nós a diversificação das matérias-primas indispensáveis a formar um pool de alguma grandeza, de certo significado econômico. Esses produtos não pareceram flexíveis a ponto de atrair para o jogo econômico o número ideal de famílias que se dedicassem ao negócio. Só a soja reagiu a contento. Num dado momento, o óleo derivado da mamona valeu no mercado coisa de R$ 5,00 o litro.
Mas o biodiesel originário da soja pode ser vendido por muito menos, por R$ 2,30 no último leilão dessas commodities patrocinado pela Agência Nacional do Petróleo - (ANP).É verdade que a mamona, a palma, o girassol etc. não apresentam uma produtividade natural que os faça rivalizar com a privilegiada soja.
Esta cultura oferece todas as condições que forçam a respectivaapreciação pelos mercados em geral. Além de tudo o mais, a soja se tornou um precioso alimento até mesmo para pessoas que caem enfermas em leitos de hospital, onde a suplementação alimentar é feita também à base desse produto. O que dizer do girassol e da palma, da mamona e do dendê?
Sobretudo, a economia dos dias de hoje mostra como a soja veio de adaptar- se às necessidades tecnológicas da produção em grande escala. Isto só a muito custo se observa com as demais culturas, que ao princípio se destinavam a complementar o esforço pela auto-suficiência deste e outros paises em matéria de biocombustíveis.
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