Saúde Edição de terça-feira, 27 de outubro de 2009
À beira de um ataque de nervos
Foi o que aconteceu com a professora Denise Castello Branco Pena, 35 anos. Uma crise de enxaqueca desencadeou o zumbido em 2001. A forte dor de cabeça foi remediada, mas o barulho no ouvido persiste até hoje. "Ouço um apito agudo e alto. Apavorada, procurei especialistas em diversas áreas, porque não sabia a origem do problema. Muitos me disseram que o zumbido não tem cura e que eu deveria aprender a conviver com ele. Quase enlouqueci, porque o incômodo é contínuo e piora durante a noite. O silêncio para mim é um verdadeiro inferno, pois o zumbido se amplifica", conta.
O pior, no entanto, ainda estava por vir. Além de ter o zumbido como companhia constante, em maio de 2009 uma nova crise de enxaqueca provocou uma hipersensibilidade auditiva. "Além do apito no ouvido, todos os sons ficaram exacerbados. Eu escuto o barulho dos cílios encostando um no outro, o lençol tocando em minha pele, escovar os dentes virou uma tortura. O som da minha respiração me incomoda. Para dormir, preciso tomar medicação. Estou totalmente incapacitada para trabalhar, pois até conversar é difícil. Dependendo da voz da pessoa, a sensação é de que ela está gritando comigo", relata.
Denise também lembra que o problema passa a ser visto com desconfiança tanto por médicos quanto por pessoas do convívio social. "Quem tem zumbido muitas vezes se sente isolado, passa a desconfiar da própria sanidade mental, porque não existe um exame que prove que o sintoma existe. Tive depressão, pânico e passei a evitar sair na rua. O meu maior alento foi o Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido (Gapz). Vi que não estava louca e que outras pessoas tinham o mesmo problema que eu. Nos reunimos uma vez por mês e temos palestras com profissionais especialistas em zumbido. Lá, fiquei sabendo que o zumbido pode ter cura ou pelo menos ser atenuado com algumas técnicas", revela.
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