Perder um parceiro de décadas é algo insuportável para muitos idosos, tanto que alguns deles morrem pouco tempo depois da perda. Outros preferem assumir a solidão de vez e viver sozinhos. Entretanto, é cada vez maior o número de idosos que sofrem ao ficar viúvos, mas veem na nova situação a possibilidade de encontrar um companheiro e recomeçar.
Josefa e Severino iniciaram relacionamento após morte de seus conjuges Foto: D Luca/DN/D.A Press
Foi o que aconteceu com José Severino Ferreira, 83 anos, e sua namorada, Josefa Conceição Salgado, 62. Ele ficou viúvo há dois anos e seis meses. Ela, há quatro meses. Um fato curioso uniu ainda mais o casal: o filho dele casou com a filha da aposentada. Os encontros familiares dos últimos 15 anos aproximaram e facilitaram o entendimento do casal, que resolveu tentar uma vida em comum após o falecimento do marido de Josefa.
Constituir uma nova família estava nos planos da aposentada, mas o que ela não imaginava era que seria com alguém que conhecia tão bem. "Não pensava em ficar só porque é muito triste uma pessoa ficar idosa e ter que ficar sozinha nos últimos anos de vida", disse. O casal afirma que teve apoio de todos os filhos, sendo nove de José e quatro de Josefa. "Moramos com os nossos filhos que são casados e nossos três netos nos chamam de vô e vó. É muito engraçado", comenta o aposentado.
Atento à história de amor dos recém-casados, Paulino de Araújo, 77, viúvo há dois anos e três meses, se disse emocionado: "Acho muito difícil encontrar alguém para morar comigo porque as pessoas de hoje em dia têm uns costumes completamente diferentes dos que estou habituado e, além disso, fui casado com uma santa e creio não encontrar ninguém parecido".
A opinião de Leide Soares de Lima, 77, conhecida pelos amigos como "Menininha" é praticamente a mesma. Ela perdeu o companheiro aos 44 anos e decidiu educar e criar os quatro filhos sozinha e diz que não se arrepende. "Foi muito difícil no início porque costurava, fazia salgadinhos e vendia laranja nas praias tudo para aumentar o orçamento, mas consegui. Meus filhos sempre forammuito atenciosos e me respeitaram. Todos estão casados e com bom emprego. Não me arrependo de nada".
Atualmente eles frequentam a Associação das Viúvas e Viúvos do Rio Grande do Norte (Avirn), onde dançam e recebem atenção médica. Entretanto, afirmam que na Avirn têm apenas bons amigos. "Depois que passamos a frequentar lugares como esses ficamos mais soltos, conversamos e nos divertimos, mas encontrar alguém para casar não quero" disse a menininha.
Decisão
Para o psicólogo Francisco Francinildo a decisão de ficar sozinho após a morte do companheiro é um sinal de que a pessoa não conseguiu resolver a questão do luto. "Ficar na sombra do ente querido não é bom. E dizer que não se acostumam com outras pessoas, por exemplo, é uma maneira dessas pessoas justificar a ausência do parceiro".
Para ele, o ideal é que a pessoa viva o luto durante um tempo, porém se reestabeleça saindo com os amigos e se encontrar alguém que o encante deve seguir em frente. "Os estudos já comprovaram que os idosos que se relacionam com pessoas mais jovens vivem mais, além de que acredito que companhia para qualquer pessoa, independente de idade, é fundamental".
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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