Pesquisadores da UFRN vão enviar amostras em foguete para analisar efeito da gravidade zero sobre a planta
Adriana Amorim // adrianaamorim.rn@diariosassociados.com.br
O comportamento do clima em todo o mundo - que tem vivenciado alterações bruscas de temperatura nos últimos anos - é apontado como um dos responsáveis pela redução significativa do crescimento e produtividade de produtos agrícolas economicamente importantes. Embora não haja dados conclusivos, pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Estudos do Espaço (INEspaço) adotaram a cana-de-açúcar como modelo visando a compreensão do que acontece quando sua estrutura genética é submetida a estresses como calor, seca e até microgravidade. Um grupo de pesquisadores potiguar vai estudar os efeitos da gravidade zero sobre a espécie vegetal, através de amostras que serãoenviadas para o espaço.
Kátia Scortecci explica que espécie foi escolhida para estudo porque Brasil é responsável por 25% da produção mundial Foto: D Luca/DN/D.A Press
O grupo submeteu à Agência Espacial Brasileira duas solicitações para sua pesquisa e agora aguarda o envio ao espaço de amostras de cana-de-açúcar em um foguete modelo VSB-30, do Brasil, onde permanecerão por seis minutos em estado de microgravidade. O outro pedido também foi aceito, mas aguarda um lançamento à Estação Experimental Internacional (ISS), onde o mesmo material poderá permanencer por até sete dias no espaço. Katia explica que o crescimento de plantas no ambiente de gravidade zero permitirá a prospecção de genes e proteínas que são ativados ou reprimidos durante esta condição de microgravidade e sua caracterização.
À frente do estudo 'Caracterização funcional de genes associados ao processo de floração em cana-de-açúcar', a pesquisadora Kátia Scortecci, do Departamento de Biologia Celular e Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que a escolha pelo produto se deve, principalmente, ao fato de o Brasil contribuir com 25% da produção mundial de cana-de-açúcar, sendo o Nordeste responsável por 14,32% da produção nacional, número que poderia ser bem mais alto. "A contribuição da região é reduzida não por causa da área plantada, mas por causa da baixa produtividade da cultura, levando a um baixo rendimento na indústria sucro-alcooleira", explicou.
"A gente quer compreender como a planta vai se adaptar àquela condição e, assim, tentar encontrar soluções ao melhoramento genético, visando melhorar a produção não apenas dessa, mas de outras espécies agrícolas, e consequentemente reduzir as perdas na agricultura", diz, contando que toda a estrutura exigida ao envio do material já está pronto, incluindo os testes de qualificação. "Estamos apenas aguardando o lançamento, previsto para o ano que vem", espera. Em relação à Estação Espacial, continuou a pesquisadora, o Brasil está negociando parceria com a Rússia e não há previsão acerca da missão.
Calor
A pesquisadora, pós-doutora em genética, é responsável pelo monitoramento do Laboratório de Transformação de Plantas, onde exemplares de cana-de-açúcar foram submetidos ao calor e, no momento, o grupo, composto de cinco pesquisadores e dois alunos-bolsitas, observa o comportamento genético sob a condição da seca. Os resultados das experiências só serão possíveis em meados de 2010, mas as observações listarão genes ativados e reprimidos em cada condição. "Até os resultados negativos são importantíssimos", enfatizou.
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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