As pesquisas com a cana-de-açúcar acontecem desde 2007 e a escolha pela planta se deveu à observação de que, na região Nordeste, ela tenha apresentado alterações em seu desenvolvimento que têm influenciado diretamente na qualidade da produção. Segundo Katia Scortecci, o precoce florescimento da cana tem sido encarado como prejudicial no processo de acúmulo de sacarose. "O florescimento da cana-de-açúcar no Nordeste, que deveria ocorrer na fase final de vida da planta, está ocorrendo cedo", diz. Ela explica que as consequências são uma considerável retenção, pela flor, de sacarose e secamento do interior do colmo, a partir da parte superior.
Qualidade da lavoura está diminuindo Foto: Frankie Marcone/DN/D.A Press
"A redução do volume de caldo é o principal fator no qual o florescimento interfere", apontou, frisando que a cana-de-açúcar é um modelo para compreensão de outros produtos, como arroz e trigo. "A pretensão é descobrir o gene chave capaz de se adaptar às condições de seca e calor e, assim, ir em busca da melhor espécie ou tentar um melhoramento genético", disse, adiantandoque, para obter resultados expressivos, serão necessários até cinco anos de estudos e observações.
Autonomia
Katia conta que o INEspaço, que tem sede na UFRN e coordenação geral do astrônomo José Renan de Medeiros, poderá proporcionar equipamentos específicos a pesquisas que necessitam submeter materiais a condições especiais não-naturais ao planeta Terra. "Nossa proposta é adquirir um clinostato, que simulará a exposição da célula biológica na gravidade zero, e uma hipercentrífuga, para simular a condição oposta à gravidade", destacou, explicando que os aparelhos dariam autonomia aos pesquisadores, que passariam a não mais depender de uma lançamento ou missão espacial.
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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