Autoridades russas estão preocupadas com onda de ataques a estátuas de Vladimir Lenin, líder da Revolução de 1917
Aleksandr Karpov
São Petersburgo (EFE) - Passados 92 anos da revolução bolchevique, os monumentos em homenagem a seu principal artífice, Vladimir Lenin, enfrentam uma onda de ataques, como os registrados em São Petersburgo, onde uma estátua foi decapitada e outra atingida por uma bomba. Perante os olhares atentos dos comunistas e outros nostálgicos da URSS, uma equipe de operários começou nesta sexta-feira a restaurar a estátua de Lenin destruída em 1º abril por uma bomba, ação cuja autoria ninguém reivindicou.
A estátua de bronze, situada no centro de São Petersburgo, teve um buraco de cerca de um metro aberto por uma bomba. Especialistas decidiram desmontar a estátua perante o perigo de que caísse e pelo fato de sua restauração sobre a base ser mais cara que na oficina, onde as obras custarão 8 milhões de rublos (US$ 276 mil). O anúncio de que o monumento seria desmontado tinha alarmado os comunistas, que suspeitaram se tratar de um pretexto para retirar para sempre a homenagem ao líder da revolução, e ameaçaram montar guarda permanente no local.
Para evitar protestos, a governadora da cidade, Valentina Matviyenko, deu garantias pessoais ao dirigente comunista russo, Gennady Ziuganov, de que a estátua, cuja restauração durará sete meses, voltará ao centro da antiga Leningrado. O monumento, instalado na praça que também leva o nome de Lenin, mostra o líder bolchevique sobre um carro blindado e fazendo um discurso com a mão estendida, em uma imagem que lembra sua chegada do exílio à Estação da Finlândia em 3 de abril de 1917. Obra do escultor Serguei Yevséyev e dos arquitetos Vladimir Schukó e Vladimir Helfreich, o monumento, de cerca de 10,7 metros, foi instalado na praça em frente à estação em 1926.
A polícia informou também que outra estátua do primeiro chefe de Estado soviético foi encontrada esta semana sem a cabeça no parque Krasnoselski, em São Petersburgo, antiga capital do Império Russo e berço da revolução de 1917. Os policiais, alertados por lixeiros do parque, situado ao longo da avenida Lenin, confirmaram que o monumento estava decapitado, enquanto a cabeça estava aos pés da estátua de concreto.
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Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
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