Município Edição de domingo, 1 de novembro de 2009
Programa combate desertificação
Projeto alia construção de barragens, preservação da mata ciliar dos rios e conscientização da comunidade
Erta Souza // ertasouza.rn@diariosassociados.com.br
Evitar os efeitos da desertificação dos rios potiguares. Esse é o principal objetivo do Programa de Recuperação de Bacias Hidrográficas, desenvolvido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), através do Programa Semiárido Potiguar (PSP), e financiado pelo Banco Mundial. O valor total do investimento será de R$ 59,8 milhões, sendo R$ 35,9 milhões do acordo do empréstimo e R$ 23,9 como contrapartida do estado.
Região do Rio Cobra, no Seridó, receberá R$ 2 milhões em investimentos Foto: Anônimo/Divulgação
A ação - lançada em maio - foi iniciada no Rio Cobra, no município de Parelhas, onde serão investidos R$ 2 milhões, mas as bacias do Rio Una, no Agreste, e do Rio Potengi também serão recuperadas.
Inicialmente, a equipe da secretaria fez um trabalho de conscientização com a população sobre a importância de se preservar o rio. "Muitas famílias trabalham com cerâmica e isso afeta seriamente o meio ambiente", alerta o coordenador do Programa Semiárido Potiguar, Othon Militão.
As obras deverão ser iniciadas no Rio Cobra no dia 14 de novembro, segundo Militão. "Vamos construir 40 barragens subterrâneas ao longo do rio, que serão utilizadas pelas pessoas que moram próximas. Além disso, vamos recuperar cerca de 20km de mata ciliar (vegetação que protege as margens do rio) e construir quatro pontos de abastecimentos de água", disse.
Essas ações visam a sustentabilidade hídrica da região e evitam a erosão do solo e assoreamento do rio.
O projeto piloto desenvolvido no Rio Cobra será de extrema importância para as ações que serão feitas nos outros rios. É também uma iniciativa no combate à desertificação no Rio Grande do Norte, estado que tem 97% de seu território suscetível a esse processo, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.
O Programa Semiárido prevê ainda o estabelecimento em pelo menos 700 pequenas propriedades das áreas de reserva legal, que correspondem a 20%, no mínimo, do total da propriedade necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, visando a conservação da biodiversidade, o abrigo e a proteção da fauna e flora nativas, além da reabilitação dos processos ecológicos.
Exemplo
Na opinião do vice-governador e secretário de Recursos Hídricos, Iberê Ferreira, as atividades que estão sendo desenvolvidas pelo programa na bacia do Rio Cobra certamente servirão de exemplos para outros estados. "Nosso maior desafio será mesmo a conscientização da população, mas estamos tentando formar um novo pensamento da causa ambiental, principalmente com as mudanças já sentidas como consequência do processo de aquecimento global".
A expectativa é de que as obras no Rio Cobra devem ser concluídas em dezembro do próximo ano.
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