Mais um capítulo da briga entre ambulantes da praia de Ponta Negra e a prefeitura de Natal. Depois de ação fiscalizatória promovida, na última quarta-feira, pela Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur) um grupo formado
Grupo de comerciantes afirma que têm autorização para trabalhar na praia
por aproximadamente 15 comerciantes vai ter que retirar a mercadoria do calçadão dentro do prazo 72h. A secretaria alega que os comerciantes estão em desacordo com a classificação que os define como ambulantes, uma vez que alguns trabalham com ponto de vendas fixo, bloqueando o acesso de pedestres no passeio público.
Para o presidente da Associação dos Trabalhadores Informais de Ponta Negra, Marcos Martins, a Semsur agiu de forma inadequada. "Está ficando cansativo tentar trabalhar e não conseguir. Existe um acordo entre a associação e a Semsur que determinava a retirada dos trabalhadores informais da praia apenas quando fosse apontada uma solução ou construção de um espaço", disse. Marcos Martins se refere ao trabalho de recadastramento de todos os trabalhadores informais espalhados pela cidade, que foi iniciado pela prefeitura ainda em 2005 e retomado pela atual administração em junho deste ano. "É ridículo. Não vamos sair da praia. Eles afirmaram que os ambulantes de Ponta Negra não seriam perseguidos mas não estão cumprindo o acertado", reclamou.
O secretário adjunto de operações da Semsur, Flávio Fonseca, disse que as notificações foram emitidas para aqueles comerciantes que não atuam como ambulantes e têm local de trabalho fixo. São aqueles que espalham seus produtos na calçada, bancos e muretas da praia que tem até amanhã para deixar o local. "O ambulante é aquela pessoa que tem seu produto e fica circulando, não pode ficar em ponto fixo. Tem áreas verdes que estão sendo tomadas e até um quiosque com energia ilegal estava funcionando", destaca Flávio Fonseca.
Bugueiros
Ele disse também que a fiscalização identificou mais de cinco pontos de bugueiros em locais inadequados, comerciantes utilizando energia de "gatos" e uma série de irregularidades. "Não é perseguição. A papel da Semsur é fiscalizar e isso vai sempre ser feito. Não é porque o ambulantes foi recadastrado que tem direito de ficar em locais inadequados. Essa questão independe do acordo feito", disse.
Para a empresária do setor de turismo Isabel Milhomem, a ação só esvazia a praia que já vem sofrendo do abandono por parte dos turistas. "Acho que a praia já está parecendo uma cidade fantasma, os turistas sumiram. E se tirarem os artesões a praia esvazia mais. A insegurança que se passa é muito grande. Temos medo de ficar aqui sozinhos. A praia deserta gera insegurança não só para os turistas quanto para as comerciantes também", afirma.
O secretário adjunto de operações da Semsur informou que o prazo final para recadastramento dos trabalhadores encerra no fim deste mês. Sobre o início dos cursos de capacitação dos mesmo, afirmou que o cronograma e oferta de cursos estão sendo fechados com a Semtas.
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Edição de sábado, 7 de novembro de 2009
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