Simpósio divulga a psicobiologia, ciência ainda pouco conhecida, que estuda interação entre o físico e o mental
Luiz Freitas // luizfreitas.rn@dabr.com.br
Psicobiologia. Um alinhamento das ciências biológicas e psicológicas, nascida da proposta de unir as pesquisas psicológicas feitas em humanos com as pesquisas de comportamento animal feitas no campo e em laboratório
Encontro, que tem o tema Do cérebro ao comportamento, é realizado na UFRN por alunos de pós-graduação na área Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
com a proposta de estudar os mecanismos biológicos que dão origem aos processos cognitivos em homens e animais. Foi com o intuito de divulgar as pesquisas nessa área que os alunos da pós graduação em Psicobiologia da UFRN promovem desde ontem o I Simpósio em Psicobiologia.
Com o tema Do cérebro ao comportamento, o simpósio apresenta as quatro linhas de pesquisa do programa: cronobiologia, estudos do comportamento, psicobiologia dos processos cognitivos e endocrinologia comportamental. As palestras serão ministradas pelos alunos da pós-graduação e abordam temas desde a neurofisiologia até as aplicações da teoria da evolução ao estudo do comportamento humano.
O evento ocorre em meio às comemorações do bicentenário de Charles Darwin, criador da teoria evolucionista, e 150 anos de publicação de sua obra "Origem das Espécies", onde o autor propõe o modelo teórico que abre as possibilidades de estudar o comportamento e a mente do ponto de vista evolutivo. O naturalista britânico ganhou fama ao defender uma teoria científica que explica o surgimento e a evolução das espécies através de mecanismos naturais, teoria considerada o paradigma central da Biologia moderna.
O fisioterapeuta e mestre em Psicobiologia, Rodrigo Pegado Freitas, realiza estudos na área de endocrinologia comportamental. Sua palestra iria tratar de hormônios e sexualidade. "Além da genética o cérebro sofre modificações com a exposição aos hormônios sexuais. Isso faz com que homens e mulheres tenham estruturas cerebrais diferentes, o que chamamos de plasticidade neural. Somos diferentes não apenas no comportamento, mas também na estrutura neural". Ele cita como resultado das pesquisas o impacto da diminuição dos hormônios andróginos sobre a mulher. "Esses hormônios influenciam a percepção da dor. Existe uma doença, a fibromialgia, que é uma dor muscular generalizada e que acomete principalmente as mulheres. Verificamos que a baixa do hormônio faz com que a mulher perceba mais a dor".
Agressividade
Já do lado masculino, Rodrigo Freitas aponta que o homem tende a ser mais agressivo e a ter um maior grau de atividade. "A grande maioria dos acidentes de trânsito é verificada em homens entre 20 a 25 anos, fase de maior alta da testosterona. O homem tende a ser ativo, assume mais riscos, tem maior autoconfiança. Quem tem maior quantidade desse hormônio tende a ter maior probabilidade de ter vários parceiras sexuais, mais aventuras e um maior vigor físico. É um homem mais viril, másculo".
Um dos primeiros programas de pós-graduação do estado, a Psicobiologia da UFRN é a única no Nordeste. Existe há 24 anos e tem se tornado referência no cenário nacional, enfatizando o estudo do comportamento dos sagüis como diferencial em relação aos demais grupos de pesquisa do Brasil. Os trabalhos desenvolvidos pelos alunos da pós-graduação tem se destacado, inclusive, com publicações e referências em períodicos internacionais, dando ao programa credibilidade em todo o mundo.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de sábado, 7 de novembro de 2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br