Muitos concurseiros "profissionais" se dedicam a várias seleções ao mesmo tempo, voltando-se integralmente aos estudos
Luiz Freitas // luizfreitas.rn@diariosassociados.com.br
Uma das dicas mais repetidas para quem se prepara para concursos públicos é a de que o candidato escolha e foque um único concurso ou, pelo menos, uma área específica como fator maior da possibilidade de aprovação. Entretanto, muitos contrariam essa lógica e se dedicam a vários concursos, muitas vezes simultaneamente. Franco atiradores? Eles dizem que não.
Recém-formado em direito, Jaílson Marques está estudando para quatro concursos: segredo é organizar-se Foto: D Luca/DN/D.A Press
O concurseiro Jaílson de Medeiros Marques, 26 anos, está estudando para quatro concursos públicos: Tribunal de Justiça, Tribunal Regional do Trabalho, Ministério Público da União e auditor fiscal do Ministério do Trabalho - todos para cargos de nível superior. "A necessidade financeira faz com que eu precise prestar vários concursos". Casado e recém-formado em direito, ele decidiu deixar a advocacia de lado e enfrentar as seleções públicas em busca de uma estabilidade mais rápida. "Larguei tudo para estudar, mas a aprovação em um desses concursos será um estágio para galgar um próximo passo". Sua intenção é ingressar na carreira do Ministério Público.
Apesar de tantos concursos, Jaílson aposta na organização do tempo para dar conta de tantas matérias. "Minha estratégia está sendo estudar primeiro todas as matérias comuns, como forma de ganhar tempo. Daí, vou poder estudar as divergentes e alguma outra novidade trazida no edital". São cerca de seis a sete horas diárias de estudo, fora o tempo dispensado no cursinho. No intervalo, espaço para duas horas de lazer, além das indispensáveis oito horas de sono. Concurseiro em tempo integral desde o início do ano, ele afirma que não gostaria, mas voltaria a advogar se necessário. "Não me identifico tanto com a advocacia, mas é uma segurança estar apto a advogar a qualquer tempo".
Ele reconhece que uma pessoa que tem tempo e está focado em um único concurso tem maiores chances de aprovação, mas aposta nos conhecimentos jurídicos como um diferencial. "O cursinho não aprofunda conhecimentos. Eles te dão um norte, dizem o que você precisar estudar mais ou menos. Cabe ao aluno estudar realmente. Mas muitos estão tendo contato com aquelas matérias pela primeira vez. Ser da área ajuda bastante, pois já estamos familiarizados com os conteúdos e temos uma visão sistêmica do direito". Ele já prestou concurso para os TJ do Maranhão e TRTs do Piauí e Ceará e afirma que o seu desempenho tem melhorado gradativamente.
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