APetrobras está construindo na Serra do Falcão, município de Cachoeira de Macacu, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, um dos maiores - senão o maior - conjunto de tubulações para a recepção, a estocagem e a distribuição do gás natural. Trata-se do Gasduc III, que se tornou uma das obras principais do Plano de Antecipação da Oferta de Gás Natural (Plangás). Com inversões de capital, este ano, da ordem de R$ 2 bilhões e capacidade de processamento estimada em 40 milhões de metros cúbicos diários (10 milhões a mais que o relativamente novo gasoduto Brasil-Bolívia), vai fazer do entroncamento de tubulações na Baixada Fluminense o principal parque distribuidor do produto no país.
O complexo do gás natural em apreço receberá o produto extraído das jazidas em operação no Espírito Santo e na Bacia de Campos, além de quantidades que o país venha a importar da Nigéria e outros supridores sob a forma de gás liquefeito. A obra atenderá o Sudeste do país, podendo, em tese, dispensar a aquisição do produto naBolívia. A enorme central de gás natural que ora se constrói é, de certa forma, resposta brasileira às impertinências deflagradas pelo estado boliviano, quando até mesmo instalações petrolíferas da Petrobras, no altiplano, foram objeto de invasão ordenada ao Exército de La Paz.
Diz matéria do O Estado de S. Paulo, em edição recente, que "os números da obra são grandiosos". Trata-se do primeiro gasoduto brasileiro com o diâmetro de 38 polegadas. Durante o "pico" dos serviços de construção, as obras chegaram a empregar cerca de 7.000 trabalhadores em três turnos, a fim de garantir o início das efetivas operações nos primeiros meses de 2010. Ali, chegamos a escavar um túnel enorme para a retirada de 150.000 metros cúbicos de material rochoso, material esse que está sendo utilizado na recuperação de encostas degradadas no entorno da obra.
As informações oficiais a propósito do assunto enfatizam que as obras do complexo ora construído pela Petrobras deverão estar concluídas daqui a mais um ano, em 2011, quando os dispêndios canalizados para a resposta brasileira aos desafios bolivianos deverão alcançar coisa de R$ 10 bilhões no mínimo. A escala das tubulações em território fluminense fará baixar as nossas compras na Bolívia ao nível de 20 milhões de metros cúbicos diários, ou menos. Abrem-se dessa forma novas perspectivas para Brasil em termos de gás natural, graças a medidas do porte das que foram tomadas no sul do país. Podemos agora pensar num futuro mais tranquilo nessa importante área da economia brasileira.
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Edição de sábado, 7 de novembro de 2009
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