Tecnologia RFID, que rastreia produtos por meio de radiofrequência, começa a avançar no país
Fernando Braga
Você vai ao supermercado, enche o carrinho de produtos para o resto do mês e, em vez de esperar longos minutos na fila do caixa até realizar o pagamento, passa por uma espécie de portal que "lê" tudo que você está levando e lhe informa, em questão de segundos, o preço total das compras. Essa é apenas uma das aplicações possíveis da RFID (identificação por radiofrequência), tecnologia que aos poucos começa a ganhar força no país e abre um leque de possibilidades para as empresas que trabalham nos setores de atacado e varejo.
Imagem: Silvino/DN/D.A Press
Criado para uso militar durante a Segunda Guerra Mundial, o sistema foi desenvolvido inicialmente para permitir, por meio de monitoramento das frequências de rádio, a distinção entre aviões inimigos e aliados. Com o passar dos anos, a indústria identificou todo um potencial em volta da tecnologia e de suas possíveis aplicações, para uso civil ou industrial.
Tido como o sucessor dos códigos de barras, a solução permite que objetos possam ser identificados sem intervençãohumana, eliminando a necessidade do emparelhamento do item a um leitor, tão comum no atual padrão. Um pequeno chip (conhecido como EPC ou tag, código eletrônico de produto) colado nos produtos funciona como um verdadeiro RG de cada item. Desse modo, várias informações contidas nele podem ser consultadas ou alteradas remotamente, por meio de radiofrequência. Ou seja, uma etiqueta colada numa lata de refrigerante, numa televisão ou num pacote de arroz pode conter dados como preço, componentes, data de fabricação, lote, destino final, ente outros, que podem ser acessados a quilômetros de distância. Para isso, basta que uma pequena antena compatível com o sistema ative o chip, eletronicamente, identificando cada produto.
No mundo dos negócios em grande escala, a tecnologia vêm se mostrando bastante útil para fabricantes que têm que lidar com entregas de volumes expressivos de produtos, melhorando a logística e a gestão de processos. "A principal aplicação da tecnologia ao redor do mundo está voltada para a autenticação de processos na cadeia de suprimentos. Isso possibilita saber de onde veio um produto, quando ele chegou, quando saiu e para onde foi despachado. Com o EPC, passamos a ter um código exclusivo para cada item e não mais um mesmo código de barras para um lote inteiro", explica o assessor de soluções de negócios da GS1 Brasil, Adriano Bronzatto. Com o passar dos anos, a tecnologia vem se tornando cada vez mais acessível. Há cinco anos, por exemplo, cada chip custava cerca de US$ 1. Hoje, dependendo da demanda, eles podem sair por US$ 0,10.
A fabricante HP é uma das empresas que já utilizam a RFID. Em 2004, a companhia começou a analisar no Brasil como a tecnologia poderia melhorar o gerenciamento de sua cadeia de suprimentos. O projeto-piloto foi bem-sucedido e, desde então, a marca etiqueta todos os chassis de impressoras e cartuchos que saem da unidade de Sorocaba (SP), com o propósito de obter informações sobre todo o ciclo de vida dos produtos.
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