José Correia de Azevedo - Presidente da Comissão Eleitoral da OAB/RN
Mais uma vez, nós, advogados, somos chamados a escolher os representantes da nossa classe.
A OAB sempre foi considerada pela sociedade civil um dos pilares de nossa democracia, principalmente pela contínua batalha pelo aperfeiçoamento das instituições, por suas posições firmes e pela vigorosa defesa dos direitos e garantias dos cidadãos de nossa pátria.
Não se pode olvidar que dentre as finalidades precípuas da Ordem dos Advogados do Brasil estão a defesa da Constituição e da ordem jurídica, do estado democrático de direito, dos direitos humanos e ainda a luta pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da Justiça e pelo aprimoramento da cultura e das instituições jurídicas.
Um dos movimentos mais eficazes, entre aqueles promovidos ou patrocinados pela OAB, relaciona-se com a ética na política, no qual se procura conscientizar a população para a importância do voto como instrumento de exercício da cidadania, em eleições sérias e transparentes.
Se somos firmes em exigir eleições éticas no processo eleitoral comum, a preocupação se faz presente com rigor dobrado no processo eleitoral para a escolha dos representantes da nossa categoria profissional.
A propósito do tema, na reunião do Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da OAB, ocorrido em setembro de 2006, foi expedida a "Carta do Rio de Janeiro", documento contendo as conclusões do conclave, em que foi recomendado "aos candidatos às Seccionais e ao Conselho Federal da OAB que ajam em consonância com o ideário e compromisso ético de nossa entidade, pondo em prática em suas campanhas as exigências que fazemos aos partidos políticos: respeito aos adversários; transparência e lisura nas contas da campanha; debate elevado de idéias que reavivem compromissos históricos com a defesa das prerrogativas da advocacia e com as justas bandeiras da cidadania".
Não temos dúvidas de que as recomendações serão rigorosamente cumpridas por todos os atores envolvidos no pleito, tanto os colegas que concorrem ao Conselho Seccional como aqueles que disputam as Diretorias das Subsecções, e com isso estaremos construindo um processo ético e democrático, auxiliando, em consequência, a própria evolução da democracia brasileira.
A eleição para a nova composição da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rio Grande do Norte, relativa ao triênio 2010/2012, acontecerá no dia 20 de novembro de 2009, das 09h às 17h, na sede do América Futebol Clube (Av. Rodrigues Alves, 950 - Petrópolis) e nas respectivas sedes das subsecções de Assu, Caicó, Macau e Pau dos Ferros, já em Mossoró será realizada no Rotary Club (Rua Amaro Duarte, 375 - Nova Betânia).
Já a escolha do novo presidente nacional da OAB será feita através da realização de sessões extraordinárias do Conselho Federal da entidade nos dias 30 e 31 de janeiro de 2010. Nessas datas, deverão ser reunidos o atual e o futuro Conselho Federal da OAB, juntamente com as novas diretorias das 27 Seccionais da OAB dos Estados e Distrito Federal. Os integrantes do futuro Conselho Federal vão eleger na sessão de dia 31 de janeiro os membros da próxima diretoria da entidade.
A fé e a razão
João Marques - Escritor
AFé é uma palavra cujo significado e prática costuma aparecer em diversos textos e discursos em antagonismo com a Razão. Para muitos adoradores da Fé, a Razão poderá ser desconsiderada ou mesmo eliminada, pois ela parece se tornar um obstáculo para os voos do homem em direção a Deus... Assim como para muitos adeptos da Razão, a Fé poderá sofrer igual tratamento, pois sua ação parece contaminar a lógica com hipóteses e pressupostos sobrenaturais não quantificáveis nem observáveis.
Mas terão que ser assim tão antagônicas? Não poderão interagir beneficamente?
Na realidade, uma boa fé, uma fé verdadeira, não exclui a razão nem a hostiliza, mas antes a eleva para seus domínios. Ilumina-a, de modo que a lógica abarque novos conceitos e premissas que antes não eram considerados. Integra-a num sistema superior, mais amplo, mais rico em evidências, significados e contextos. Uma fé real e verdadeira não é antônimo de razão, bom senso, realismo, mas antes complemento e, nos casos adequados, líder.
Deste modo, verifica-se uma sinergia: a fé nutre a razão com mais vigor, idealismo e esperança, e a razão, por seu lado, adiciona rigor, impulso de indagação, praticidade e discernimento à fé.
Mas infelizmente, o que costuma acontecer é que a razão, sempre mais prática e imediatista (mais realista do que idealista, objetiva do que subjetiva, materialista do que espiritualista), é parcamente iluminada pela fé, ou nem chega a ser iluminada. E fica limitada a seus objetivos materiais, experimentais, quantificáveis. Enquanto a fé, incentivada por chamados transcendentes, faz seu caminho com indiferença, ou mesmo desprezo, para com a razão.
E aí surge o perigo: a fé verdadeira (criativa, frutuosa) se transforma em fé cega e iludida. E a dúvida indagadora, ferramenta para quem busca Deus com mais rigor, se torna incômoda e perigosa. E a pessoa fica permeável a todas as falsidades, ilusões e manipulações. E pode confundir seus desejos e motivos com a vontade divina.
E como conseguir distinguir o verdadeiro profetado falso na ausência de discernimento? Sem a observação e reflexão lógica sobre os frutos produzidos?
O reino da Fé não é sinônimo de credulidade, ignorância, dogmatismo, rigidez fanática ou subjetivismo fantasista. Uma fé com estes atributos não é a fé concedida por um Deus que privilegia a sabedoria e criou leis e universos não caóticos, nem ilógicos ou irrealistas, mas antes doadores de Razão e regidos pela Razão; uma Razão transcendentalmente complexa e ampla
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Edição de sábado, 7 de novembro de 2009
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