Há muito de pragmatismo na forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressiona o PT para que apóie os candidatos do PMDB e de outros partidos aliados na maioria dos estados. Na verdade, à sombra do Palácio do Planalto, os petistas não construíram alternativas de poder na maioria dos estados, a começar pelo berço da legenda, São Paulo. Os candidatos mais competitivos do partido são os governadores que concorrem à reeleição, como Jaques Wagner, na Bahia; Ana Júlia Carepa, no Pará; e Marcelo Déda, em Sergipe. Completam o grupo o ministro da Justiça, Tarso Genro, no Rio Grande do Sul; a senadora Ideli Salvati, em Santa Catarina; o ex-governador Zeca do PT, em Mato Grosso do Sul, e o senador Tião Viana, no Acre. É só.
Nesse cenário, não restou ao presidente Lula outra alternativa para alavancar a candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) senão fechar uma coligação formal com o PMDB. A legenda abduziu os petistas no Congresso e ficaria perigosamente à deriva se a prioridade da política de alianças de Lulafosse outra. Ainda mais porque o PT tem contradições antagônicas (aquelas na qual um tem que derrotar o outro) com os peemedebistas em estados importantes para o resultado do processo sucessório, como Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul, sem falar no Rio de Janeiro. A equação sucessória não se completa, porém, sem um acordo do PT com o PSB, principalmente em Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
Deixa disso
Lula terá uma conversa de pé de fogueira com o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, do PT-SP, que se movimenta com apoio da ex-prefeita Marta Suplicy para se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes. Lula ainda acredita que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) desistirá de ser candidato a presidente da República e aceitará a missão de concorrer ao governo paulista. Motivo: Ciro está isolado e tem pouco apoio na cúpula do PSB.
Martelo
A cúpula do PCdoB, que realiza mais um congresso neste fim de semana, em São Paulo, está mesmo fechada com a candidatura de Dilma Rousseff (PT), graças ao empenho do presidente da legenda, Renato Rabelo. Grande aliado de Ciro Gomes e arquiteto do bloquinho com o PSB e o PDT, o ex-ministro da Articulação Política Aldo Rebelo, estrela comunista na Câmara dos Deputados, vive às turras com os petistas paulistas e apostou na candidatura de Ciro Gomes, mas não conseguiu empolgar a legenda.
Mínimo
O governo vai editar uma medida provisória para definir o índice de reajustedo salário mínimo de 2011, caso o Congresso não aprove o polêmico PL 01/07, que dispõe sobre a política de valorização do piso. O provável percentual será a variação do PIB mais o INPC. A edição da MP deve ocorrer em janeiro. Para 2010, pelo mesmo critério, a projeção é de um salário mínimo de R$ 506,90
NO CAFEZINHO
Cizânia/ Na reforma administrativa do Senado, o Artigo 349 da proposta tornou-se motivo de disputa entre analistas e consultores. O texto dá aos consultores legislativos e do orçamento autoridade para nomear colegas da carreira para cargos de confiança. Impedidos de assumir os postos, os analistas dizem que tal prerrogativa é prerrogativa exclusiva dos senadores.
Xororô/ Com apoio de deputados da base, líderes da oposição na Comissão Mista de Orçamento colocaram três condições para retomar a votação do Orçamento de 2010 e de créditos suplementares: a liberação das emendas parlamentares, a recomposição de dotações nos relatórios setoriais afetados por cortes e a autorização para que definam obras prioritárias para a Copa de 2016, atribuição exclusiva do relator-geral, deputado Geraldo Magela, do PT-DF.
Parlatur/ A Câmara estabeleceu critérios para escalar a comitiva de deputados que vai à Conferência do Clima, em Copenhague. A preferência para escolha dos representantes da Casa será dada aos parlamentares que não fizeram viagens internacionais no ano. O desembolso será limitado a cinco diárias por deputado. Os que estiverem fora do critério terão que viajar por conta própria.
Sem-terra/ Para evitar o rolo compressor governista, a oposição tenta repetir na negociação da CPI do MST o acordo selado com a base para a CPI da Terra, em 2004. Na ocasião, os oposicionistas garantiram a presidência e a vice da investigação, deixando a relatoria para um aliado do Palácio do Planalto. O acordo deve sair na próxima semana.
Cena/ O PSDB adotou o teatro para dividir a paternidade do Bolsa Família, marca maior do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Para a encenação, os tucanos usam como roteiro o gibi lançado, há dois meses, no Rio Grande do Norte, que descreve o Bolsa Família como desdobramento do Bolsa Escola, programa lançado no governo Fernando Henrique Cardoso.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de sábado, 7 de novembro de 2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br