De antemão, solicito ao leitor que me perdoe pela grande quantidade de adjetivos que vêm por aí, texto afora. Mas, na verdade, na verdade, não poderia ser diferente! O fato é que compareci, terça-feira à noite, a um dos eventos de maior valor cultural e estético que já vi por estas bandas de cá da província ensolarada.
No Teatro Alberto Maranhão, num mesmo show (dividido em duas partes), Déa Trancoso e Egberto Gismonti, dois músicos especialíssimos (ela, dona de uma voz também especial), mostraram a que vieram, brindando a todos os presentes com música de altíssimo nível e tratada de forma meticulosa na operacionalidade de um palco que se situava como que numa espécie de céu de melodias, harmonias e outros elementos musicais. Não foi a toa que o show teve o título "Vozes de Mestres", fazendo parte do projeto CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) Itinerante, uma excelente iniciativa que vem tendo cada vez mais repercussão no mundo cultural brasileiro.
O pessoal de Déa (seus "meninos e meninas", conforme diz a própria) está junto há 10 anos, interpretando um cancioneiro com sabor e cheiro de terra, de sertão de Minas, do Jequitinhonha (terra de Déa), com magia e com expressividade pulsantes nas vozes, violões, percussão - decorrentes, em muito - da fé e da espiritualidade afro que Déa abraçou e que lhe serviram de inspiração.
E Egberto...não sei nem se vale a pena falar...é, simplesmente, um dos maiores músicos do mundo, um virtuose. Visceral e profundo, envolve-se e se mistura com a própria música, num amálgama absolutamente orgânico. Egberto, com seu violão de muitas cordas, seu piano de muitos sonhos e suas rápidas mãos de "dezenas de dedos", hipnotiza e produz efeitos devastadores nas sensibilidades mais petrificadas. Em suma, nada mais e nada menos que um monstro sagrado perpetuando a arte da interpretação musical. E ele estava ali, bem pertinho, há poucos passos de nós, os mortais.
Fiquei especialmente entusiasmado com as interpretações que Egberto fezde clássicos de Villa-Lobos, como "O Trenzinho do Caipira" e "Bachiana nº 5", que estão no CD "Trem Caipira", em que recria temas de forma inspirada, homenageando o maestro no já longínquo 1978. Ambos, Egberto e Déa, fizeram apresentações caprichadas de algumas pérolas de sua produção musical de carreira. Déa, com seu trabalho inicial "TUM TUM TUM", que recebeu quatro indicações para o prêmio TIM de música brasileira em 2007 e que retrata a realidade, folclore, crenças e misticismo do Vale do Jequitinhonha, reunindo diversas canções de domínio público colhidas durante as andanças ao longo do rio e de um forte trabalho de pesquisa que desenvolveu; e Egberto Gismonti, com sua vastíssima obra instrumental sendo traduzida em algumas belíssimas músicas no palco, além de seu senso de humor destacado e equilibrado que agradou a todos os presentes.
Foi isso (de forma muito sucinta) o que vi e ouvi lá no querido Teatro Alberto Maranhão. E, acredito que todos os que lá estiveram, devem ter experimentado, intimamente,a mesma sensação de rara felicidade e de refrigério, face a face com a arte profunda.
Revolução das telecomunicações
Luiz Eduardo Falco Presidente da Oi
Oséculo 20 e o início deste século 21 são marcados pelo extraordinário desenvolvimento tecnológico. Dentre as mudanças mais significativas, ganham destaque os avanços na área das comunicações, que culminaram na globalização social, econômica e cultural, hoje avançada em grande parte do planeta.
Dentro deste cenário, o setor de telecomunicações no Brasil passou por uma significativa transformação a partir de 1997, com a aprovação da Lei Geral, a abertura do mercado e privatização do sistema Telebrás em 1998. A partir daí, o número de linhas fixas instaladas no país cresceu de 20 milhões para o patamar de 40 milhões em apenas seis anos, chegando a 55% das residências. Neste período, iniciou-se, como uma segunda onda, o desenvolvimento da telefonia móvel, que alterou a dinâmica e os fundamentos do setor. De 1998 a 2008, o número de linhas de telefonia móvel saiu de 7 milhões para 151 milhões, o que significa que 81% de penetração, considerados os habitantes do Brasil.
Agoraestá em curso no Brasil uma nova e silenciosa revolução, com a Banda Larga, numa terceira onda. Desde o ano passado, a infra-estrutura para conexão digital à internet (backhaul) passou a ser uma das metas de universalização dos serviços de telefonia fixa em substituição à exigência de que as concessionárias instalassem postos de serviços de telecomunicação (PST), previstos originalmente por linha discada. Até o final de 2010, a meta é levar, simultaneamente a essa infra-estrutura, banda larga de 1 Mbps para todas as escolas públicas urbanas de ensino fundamental e médio do país - universo de 57 mil escolas e 37 milhões de estudantes. E, em seguida, duplicar as conexões para 2 Mbps. Para se ter uma idéia do que isso significa, em 2003 apenas 10% das escolas públicas de todo Brasil tinham acesso à Internet. Em meados de 2009 o Brasil já contabiliza 50% das escolas com banda larga e 24 milhões de alunos de escolas públicas incluídos no mundo digital da internet.
Neste contexto, é importante não perder de vistao aspecto mais fundamental, e talvez mais desafiador do que a implantação de tecnologia: a inclusão social. Ela só é possível com a combinação da disponibilidade da infra-estrutura com o desenvolvimento e aplicação de metodologias de ensino capazes de trazer para o universo digital uma população anteriormente alijada desse sistema.
A capacitação de professores, a formação de multiplicadores e a qualificação profissional são indispensáveis para que as escolas e seus alunos possam usufruir as novas possibilidades que a expansão da rede de banda larga apresenta. Bases de dados, acervos de bibliotecas, notícias e instituições de pesquisa estão cada vez mais disponíveis na rede, em um ambiente virtual de informação e conhecimento que vai se expandir fortemente à medida em que avance a convergência digital. Formar profissionais capazes de atuar nesse ambiente é indispensável para a efetiva transformação de informação em desenvolvimento. Para isso, o único caminho é a educação.
A iniciativa privada pode ser um aliado de peso. Dois exemplos da Oi mostram o potencial dessa área. No projeto Tonomundo escolas afiliadas no Brasil e em Moçambique criam projetos comunitários com uso de ferramentas virtuais, beneficiando mais de 650 mil alunos e 7 mil professores. O programa Nave, uma parceria do Oi Futuro com o poder público através de convênio com o governo do estado do Rio de Janeiro, é voltado para a pesquisa e desenvolvimento de soluções educativas que capacitem os jovens para profissões na área digital.
A inclusão digital é indispensável para que o Brasil seja capaz de explorar todo o potencial do novo panorama econômico mundial. Mais do que expandir o acesso à transmissão de voz, a banda larga representa a modernidade, na medida em que abre para os cidadãos o mundo de internet, isonômico para as pessoas onde quer que elas morem. É um mundo da distribuição do conhecimento, da educação, de novas ferramentas de gestão, que permitirá um grande ganho de produtividade para vários segmentos da sociedade brasileira.
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Edição de quinta-feira, 12 de novembro de 2009
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