Economia Edição de segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Recuperação // Comércio lidera retomada do faturamento em 2009
Apesar dos esforços despendidos pelo governo a fim de minimizar os efeitos advindos da crise financeira internacional, o faturamento das empresas brasileiras recuou 6,3% no primeiro semestre de 2009, já descontada a inflação, em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Esta é a conclusão de um estudo da Serasa Experian que analisou a evolução do faturamento das empresas no país, a partir de uma amostra de cerca de mil demonstrações contábeis encerradas em junho/2009 e divulgadas até outubro, abrangendo empresas que atuam na indústria, no comércio e nos serviços.
Varejistas foram os que demonstraram maior crescimento no período Foto: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Porém, segundo os analistas da Serasa Experian, o terceiro trimestre de 2009 já apresenta avanço na demanda, evidenciada pela recuperação da atividade comercial. O efeito positivo desta demanda mais aquecida já se faz sentir por quase todos os setores econômicos. Tanto a indústria, quanto as prestadoras de serviços, que anteriormente haviam apresentado retração, passam a acompanhar a retomada da economia e tendem a encerrar 2009 com evolução mais favorável de suas receitas.
É o comércio, entretanto, que mais se destaca, quando se compara a desempenho do faturamento de janeiro a junho de 2009 com o mesmo período do exercício anterior. Foi o único setor a apresentar crescimento real de 2,7%. Os principais responsáveis por tal desempenho foram o comércio de bens de consumo não duráveis, por serem menos dependentes do crédito, com destaque para as empresas que atuam na comercialização de gêneros alimentícios. Já as empresas que atuam com bens duráveis apresentaram retração em suas receitas, devido a serem mais suscetíveis aos percalços enfrentados em momentos de crise uma vez que há necessidade de crédito para poder comercializar seus produtos.
Serviços
O setor de serviços viu seu faturamento recuar em 4,1% nos primeiros seis meses de 2009 em relação à igual período de 2008. O segmento de energia elétrica sofreu com queda de 7,6% oriunda da redução no fornecimento a classe industrial, uma vez que a crise financeira afetou severamente o setor produtivo interno. A telefonia fixa teve queda de 5,4% devido à redução na base de linhas fixas causada pelo êxodo de seus clientes para a telefonia móvel e também pela política agressiva de descontos e promoções visando à fidelização de seus usuários. Todavia as empresas de construção civil e saneamento obtiveram evolução positiva nas receitas, a primeiras impulsionadas pelo maior volume de vendas de unidades e também pelo início do programa habitacional "Minha Casa Minha Vida" e as segundas pelo reajuste tarifário e pelo aumento da população atendida.
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