Saúde Edição de terça-feira, 17 de novembro de 2009
Automedicação deve ser evitada, dizem especialistas
Apesar dos bons resultados, a pesquisadora não estimula o uso do medicamento por pessoas saudáveis. "Não há como negar que a divulgação de resultados positivos associados a medicamentos sempre gera curiosidade. A automedicação, porém, é sempre indesejável, independentemente do tipo de medicamento envolvido", explica Gorenstein. "Não incentivamos a automedicação nem a prescrição de antidepressivos a pessoas saudáveis", conclui, lembrando que, mesmo com bons resultados, todos os pacientes relataram efeitos colaterais. Entre eles, boca seca e constipação intestinal, os mesmos de pacientes doentes que usam antidepressivos.
Conselheiro do Distrito Federal no Conselho Federal de Farmácia (CFF), Antônio Bala Barbosa da Silva alerta que a automedicação pode provocar sérios problemas. "As pessoas não percebem que a diferença entre um medicamento e um veneno é apenas a dose. Algo que pode curar também pode ser fatal", conta. Para ele, tomar remédios por conta própria é uma questão cultural. "Está muito arraigado em nossa cultura esse hábito de ir a qualquer farmácia e comprar um remedinho para resolver o problema de imediato. Até os balconistas das drogarias são treinados para incentivar a automedicação."
Ele alerta que, no caso dos remédios contra a depressão, o perigo é ainda maior, pois eles podem causar dependência química e psicológica. "Muitos pacientes desenvolvem depressão por usar indevidamente antidepressivos. São pessoas que tinham outros problemas, mas que acabam se prejudicando com o uso do medicamento." Para os pacientes doentes, o risco é o mesmo. "Mesmo nos casos diagnosticados, o médico deve ter cautela na hora de receitar esses medicamentos. O uso deve ser sempre acompanhado de perto para evitar problemas", completa.
É o caso da estudante Priscila*, 21 anos. Portadora de transtorno bipolar, ela toma regularmente até quatro medicamentos. "Um antidepressivo 'principal' pela manhã, um repositor de lítio, um para controlar a ansiedade, que só tomo em caso de emergência, e outro mais leve, que tomo pra dormir melhor, ter menos pesadelos", relata.
Ela conta que seu organismo apresenta reações quando ela permanece sem os remédios. "Eu sinto mais abstinência do que efeitos colaterais mesmo. Se ficar sem tomar os remédios por dois dias seguidos, meu metabolismo fica desregulado. Eu como demais ou não como nada, por exemplo. Ou então, dá desespero, angústia. E o humor oscila demais, de um dia para o outro, e às vezes até menos", lamenta a estudante.
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