Colunas Edição de quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Opinião
A insensatez da guerra
Briga de irmãos ou, no mínimo, de uns primos uns com os outros. É desta maneira com se veem as rixas dos presidentes da Colômbia e Venezuela. De um lado, o coronel Hugo Chávez, mandatário em Caracas, do outro, Álvaro Uribe, em Bogotá.Há poucos dias, quatro militares de baixa patente das Forças Armadas da Venezuela foram achados pelas Forças Armadas da Colômbia "em atitude suspeita", sem qualquer autorização das autoridades de Bogotá.
Antes um pouco desse incidente, deu-se o caso seguinte: um soldado venezuelano veio de ser achado pelas forças de fronteiras colombiana. Detido, não declarou nada de novidade naquele fim de mundo que parece emocionante. Mas foi devolvido ao mais próximo corpo de tropa do seu país.Hugo Chávez anda agastado em razão da assinatura recente de um acordo proto-militar entre os Estados Unidos e a Colômbia. O convênio em apreço tem como ponto de sustentação manifesta a permissão, pela Colômbia, de bases militares instaladas no país, a oeste do território venezuelano. O embaixador venezuelano em Bogotá salpicou de pólvora o cenário já barulhento que se estabeleceu na fronteira entre ambas as nações. Enquanto isto, o dirigente da Venezuela vem, repetidamente, averbando os epítetos mais graves que se irrogar a um chefe de Estado no exercício de sua missão precípua. Acha que o colega Álvaro Uribe, da Colômbia, não passa de um mafioso com o qual não se pode tratar a sério. Seria Uribe "um homem muito perigoso, porque nãoo dominam os princípios morais e éticos".
"Ele dirige um governo traidor", acrescentou Chávez. Do ponto de vista das armas que ambos esses presidentes providenciaram para a respectiva pessoal ou da fronteira, o chefe de estado com assento em Caracas não escondeu de ninguém - nem podia haver adquirido grande partida na Rússia de fuzis, morteiros, canhões e outros apetrechos, dos quais se destacam os navios de guerra e os aviões ultra-rápidos de caça Sukhoi. Em dias do mês passado, chamou ao Caribe uma frota russa integrada por belonaves de certo poderio, a fim de testar o manejodelas em condições de guerra no mar.
Enquanto isto, não é outra coisa senão guerra praticamente declarada haver armado com fuzis Kalakinikov novinhos de caixa a cerca de cem mil milicianos dispostos a executar em nome do chefe qualquer missão militar. Do lado colombiano, imagina-se que as sete bases negociadas com os Estados Unidos se achariam em condições de atirar para valer, caso a situação venha a se deteriorar.Não é pois de festejar que dois países amigos do Brasil, na América do Sul, venham a terçar armas de verdade, cada qual tendo ao lado as suas razões, isto é, os motivos menos clarividentes possíveis para, lutando de armas na mão, envergonhar uma das partes mais pacíficas do mundo.
Definitivamente, não virei um fanático pela nova onda do Twitter. Tem muita gente enchendo potes de besteira e alguns querendo aparecer sem ter nada a dizer, mesmo que se aumente o número de caracteres possíveis. Um blá-blá-blá que quase nunca se justifica. Pensei até em criar uma versão brasileiramente melhorada: o Sibitter, onde só entraria gente inteligente e criativa. Infelizmente, não consegui patentear a marca (deve ter sido assumida por algum chinês empreendedor) e continuei atuando naquele novo espaço virtual de comunicação para neuróticos (como euzinho mesmo). Mais um, meu Deus! Mais um!
Agora, quero dizer ao público leitor do tradicional e querido Diário de Natal que já elegi o melhor (the best, para usar a linguagem do doce colunismo social) dentre os melhores do Twitter. Trata-se das twittadas de Serguei (http://twitter.com/sergueirock), ou Sergueirock, figura folclórica (e cheia de história) do rock brasileiro.
Serguei, para quem não sabe, foi namorado de Janis Joplin, mítica roqueira dos anos 70, pós-woodstock, com quem teve - além de um affair amoroso - umas confusões bizarras. É uma figura extravagante e de gostos excêntricos, mas extremamente divertida. Um dinossauro da criatividade e da arte! E isso, a gente pode conferir a partir das frases de (extremo) efeito que coloca nos seus 140 caracteres psicodélicos, muito bem usados.
Percebam, diante dos exemplos que seguem, se não é verdade o que digo:
"Não vi problema em ficar no escuro ontem. Me guiei pelo calor dos corpos que estavam ao redor. Toque é tudo, people!" "Pansexualismo é pra poucos. Se vc não sabe brincar, não desça no play pra transar com os brinquedos, ok?" "Hj não resisti e fingi estar me afogando. O Marcão, novo salva-vidas aqui de Saquá é praticamente um Kama-Sutra do boca-a-boca." "People, nunca acreditei nessas bobagens de superstição, saca? Um disco de Axé ou Funk dão muito mais azar q sextas 13!" "Tudo está conectado, tudo faz sentido. Menos funk, axé, pagode e sertanejo pra corno bêbado e chato, people!" "Bicho, CD é tão frio quanto sexo virtual, saca? Vinil é como transar alguém: ruídos e cuidados fazem parte da relação." "Estou cozido. Não me perguntem como isso foi acontecer. Mas ACONTECEU. E não gozei colorido. Ponto final!" É verdade, ou não é, dileto leitor? E olha que são poucos exemplos, os que dei...
Serguei, definitivamente, é o que existe de melhor no mundo frenético do Twitter. É o diferencial. E faz a diferença porque apreendeu o sentido de parar no ar e criar o inusitado quando todos se preocupam em copiar o padrão vigente.
Virei seu fã. Hoje, Serguei é o meu escritor (em 140 caracteres, ou mais) predileto. Que me desculpem os "best-sellers" desta terrinha ensolarada.
Charge
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