Cidades Edição de sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Bairro pede reabertura de maternidade
Comunidade de Felipe Camarão faz protesto para reivindicar retomada de serviços em unidade fechada há cinco meses
Andrielle Mendes Especial para o Diário de Natal
A dona de casa Marlene Raimunda da Silva, 23 anos, ainda não sabe onde vai dar a luz ao seu primeiro filho, Nataniel. Grávida de oito meses, a gestante procura diariamente a Maternidade de Felipe Camarão, mas volta para casa frustrada. "Desse jeito, vou ter meu filho na rua", teme. Há cinco meses, a maternidade de Felipe Camarão está com as portas fechadas. A maternidade da Unidade Mista de Felipe Camarão foi interditada desde junho pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern) por considerar a estrutura inadequada para o exercício profissional. Em setembro, a unidade foi desinterditada, mas as atividades continuam suspensas até o momento.
Manifestação reuniu moradores que se sentem prejudicados pela falta de atendimento. Marlene Raimunda (abaixo) não sabe onde vai dar à luz seu filho Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Para reivindicar a reabertura da maternidade, a comunidade realizou uma passeata pelas ruas do bairro. A ideia surgiu de um grupo de estudantes da disciplina Saúde e Cidadania da UFRN e contou com a participação de toda a comunidade. "No final da disciplina nós tínhamos que propor uma intervenção no bairro de Felipe Camarãoe o que mais nos chamou a atenção foi a maternidade está pronta, mas fechada para o uso", explica a estudante do 1º período de Fisioterapia da UFRN, Mariane dos Santos Fonseca, 19. A professora do Departamento de Nutrição da UFRN, Verônica Morais, explica que a ideia de organizar a passeata surgiu de uma preocupação com os moradores da comunidade. "A maternidade ainda não foi reaberta e ninguém sabe o porquê", informa Verônica. Para Verônica, o protesto só teve sentido por que a população aderiu e participou da passeata.
A cozinheira Maria Conceição Teixeira, 39, teve 13 filhos na maternidade de Felipe Camarão, sendo que um deles, na porta da própria maternidade. Ela reclama que além da suspensão dos partos, o serviço do prontoatendimento na Unidade Mista de Felipe Camarão também está suspenso. "Não é só a maternidade que está fechada, mas todo o posto", relata. Sempre que um de seus filhos adoece, Maria precisa recorrer à unidade de saúde na Cidade da Esperança ou aos hospitais públicos.
Perspectiva
A diretora geral da unidade, Anailde Neto, informa que a maternidade de Felipe Camarão volta a funcionar no dia 30 de novembro. A escala de médicos está completa e os leitos praticamente prontos. Segundo ela, falta apenas realizar alguns reparos na instalação elétrica e concluir a instalação dos novos equipamentos. Durante a interdição da maternidade, serviços como atendimento ambulatorial, vacinas e teste do pezinho e o Programa de Saúde da Família foram mantidos.
+ Mais Falta de remédios também prejudica população
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