Cidades Edição de segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Laureate suspende mestrado de Direito da UnP
Em disputa jurídica com o empresário Paulo de Paula, grupo diz que pós-graduação não se adequa aos seus planos
No meio da disputa entre a Laureate International Universities, sócia majoritária da Universidade Potiguar (UnP), e o empresário Paulo de Paula, o curso de mestrado da Escola da Direito da universidade saiu prejudicado. Depois de três anos de concepção e adequação do projeto elaborado por um grupo formado por 14 professores doutores, a Laureate decidiu suspender o projeto por este - segundo o coordenador de Mestrado de Direito da UnP, Djarson Barbosa da Cunha - não se adequar aos planos da instituição americana. "Eles queriam implantar a legislação internacional aqui", afirma. Por enquanto, o projeto de mestrado de Direito da universidade segue suspenso e os professores ministrando aulas na graduação.
De acordo com Cunha, um outro projeto, que não se alinha com a formação do corpo docente contratado pela universidade, estava sendo imposto pelos membros majoritários da UnP. "Nosso corpo docente, todos doutores, muitos formados fora do país, na Europa, têm padrão de referência que não coincidia com a exigênciado curso que foi criado. No meu entendimento deveria ser um projeto que se adequasse a formação dos professores", explica. Com isso, continua explicando, a carga horária desses profissionais, antes de 40h (exigida pelo Ministério da Educação), seria reduzida para 4h, 5h. "Um absurdo. Uma universidade não pode viver sem doutores!", exclama.
O professor Paulo Lopo Saraiva defende a decisão do empresário Paulo de Paula, que ingressou ação juducial para tentar reaver as ações vendidas à entidade em 2007 alegando "falta de transparência" na gestão financeira e tentativa de mudanças no estatuto. "Estou do lado do professor Paulo de Paula. Foi ele quem criou a Universidade Potiguar com nossa ajuda. Sou decano do curso de Direito. E fomos nós quem trouxemos o primeiro mestrado de Direito para o estado ainda na década de 1970", disse. O professor e presidente de Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Natal, Paulo Eduardo Teixeira, acredita que essa "briga" é um retrocesso na luta pela importância da pós-graduação: "Não acho bom para o meio acadêmico. A suspensão do curso de mestrado tira a oportunidade dos acadêmicos se pós-graduarem".
Na semana passada, a Laureate rompeu o silêncio e se pronunciou em anúncios publicitários em jornais locais sobre a disputa judicial. Entre outras críticas, a Laureate, controlada pelo fundo norte-americano Kohlberg Kravis Roberts (KKR), alega não ter brigas jurídicas com nenhuma das outras universidades que opera e irá responder aos questionamentos "nas instâncias adequadas".
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