Além de ser mais um passo em busca da cura para problemas que afetam a memória, o psicólogo Ken Paller diz que existem centenas de outras possibilidades. "Nosso pequeno experimento abre as portas para muitas questões", acredita. Ele diz que é possível investigar, por exemplo, se um estudante terá melhor desempenho em testes se, durante o sono profundo, receber informações sonoras sobre o assunto da prova. Ou se, ao ouvir palavras de outro idioma, o estudante conseguirá memorizar o vocabulário. O mesmo valeria para atores que precisam decorar o texto e advogados, cobrados para saberem na ponta da língua o que diz determinada lei.
Um dos coautores do estudo, o professor da Northwestern University Joel L. Voss, porém, alerta: não é possível aprender algo totalmente novo durante o sono. "As memórias são formadas quando as pessoas estão acordadas e são reativadas no sono profundo. Muitos estudos conduzidos nas décadas de 1950 e 1960 mostraram que é provavelmente impossível aprender coisas novas enquanto você dorme. O que mostramos é que as pessoas podem aprender quando estão acordadas e, se você "refrescar" essas memórias durante o sono, então conseguirá retê-las melhor", explicou.
Quanto ao uso da pesquisa, ele prevê aplicações ousadas: "O estudo abre avenidas para ultrapassarmos as fronteiras do que pode acontecer com as memórias durante o sono. Podem elas ser distorcidas? As pessoas podem ser guiadas para esquecer memórias indesejáveis?", questiona. Mas, se isso soa como um filme de ficção científica, Ken Paller avisa: "Centenas de pesquisas terão de ser feitas ainda para sabermos até onde vão as descobertas do nosso estudo".
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Atualizado em 22|11|2009
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