Pesquisa apontou que 24% dos empregados mentem ao apontar o motivo da falta ou atraso ao trabalho
O pneu do carro furou. A mãe passou mal com uma crise de enxaqueca e precisou ser socorrida. O filho caiu e quebrou o braço. O irmão do namorado da prima foi vítima de sequestro-relâmpago. A avó, tão velhinha, faleceu (que Deus a tenha). Difícil não encontrar nas empresas trabalhadores que parecem andar com uma nuvem negra sobre a cabeça. Eles são mestres em criar justificativas para atrasos ou faltas. Mas tem mais gente inventando história por aí. Uma pesquisa realizada pelo site de recrutamento norte-americano CareerBuilder.com apontou que 24% dos trabalhadores preferem dar uma desculpa qualquer a dizer o motivo verdadeiro do atraso ou da falta.
Os "espertalhões", contudo, podem se dar mal. Dependendo da desculpa esfarrapada ou da frequência, eles entram na mira de chefes desconfiados e podem acabar fora da empresa antes mesmo que a avó morra pela segunda vez. Vanci Magalhães, diretora da consultoria pernambucana JBV Soluções em Recursos Humanos, confirma que esse empregado pode ser o primeiro a "dançar" emum processo de enxugamentodo quadro de pessoal. "A empresa sabe que não pode contar com ele". Independente da situação da empresa, de acordo com o caso, a má vontade pode acabar em demissão por justa causa, situação em que o empregado perde vários direitos.
Justificativas médicas são as mais comuns. Sejam elas verdadeiras ou não. Mas quando se trata de uma mentira, o profissional corre o risco de ser pego se a empresa exigir o atestado e ele não conseguir apresentá-lo.
Vanci lembra do caso de um empregado terceirizado que recebeu o pagamento e desapareceu. Disse depois que, em um espaço de poucos dias, havia perdido a mãe e o pai, além de sofrer um acidente. A empresa conseguiu enviar um telegrama registrado para o rapaz. Surpresa: quem assinou a guia de recebimento foi a mãe "morta" dele. "Esse tipo de comportamento a gente não vê em pessoas responsáveis". Claro que eventualidades acontecem. Mas aí é o caso de dizer a verdade, sempre. E cabe à empresa (e às chefias) dar espaço para a verdade aparecer.
ParaVanci Magalhães, quem tem cargo de comando precisa dar abertura para o funcionário contar o que realmente aconteceu. Muitas vezes, falta uma comunicação mais transparente e as empresas passam a conviver com muitas mortes de avós e pneus furados. Entre as desculpas coletadas pela equipe do CareerBuilder.com, algumas se destacam pela criatividade. "Tenho amnésia temporária e não lembrei que tinha que trabalhar" foi uma delas. "O caminho até o trabalho foi fechado para que uma comitiva presidencial passasse" foi outra.
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Atualizado em 21|11|2009
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