Muito Edição de segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Exorcizando os monstros
Lady Gaga espanta o fantasma do primeiro álbum e chega às lojas com The fame monster, cheio de som e fúria
Maria Helena Monteiro mariahelena.pb@dabr.com.br
Em um ano frutífero para a música pop, podemos dizer que 2009 conseguiu sedimentar a carreira de uma artista que caminha segura para se tornar um ícone das pistas de dança. Ainda com seu bem sucedido álbum de estreia, The fame, sendo aclamado por críticos e público, Lady Gaga aporta terça-feira nas prateleiras de todo o mundo revisitando seus "monstros", no ousado The fame monster.
O trabalho, que não tem tamanho físico para ser considerado um novo álbum (possui apenas oito faixas), também não pode ser descartado por seu formato compacto. Ao contrário, Gaga encontrou, dentro dos formatos defasados de exposição, venda e execução das músicas pelo mercado fonográfico, uma maneira interessante de aproveitar o seu rescaldo de popularidade e apresentar um material diferente, que aplacasse a ânsia e a urgência dos seus fãs. Com isso, ela nos apresenta um trabalho denso, coerente e, ao mesmo tempo, palatável.
Cantora se destacou no cenário pop e caminha segura para se tornar um ícone das pistas de dança. Foto: EFE/Jonathan Brady
O álbum The fame monster é um CD duplo e a foto da capa foi tirada pelo renomado designer de moda e fotógrafo Hedi Slimane. O CD trará duas capas icônicas - uma edição limitada com tiragem de 10 mil cópias e outra edição deluxe, estilo revista, chegará às lojas em dezembro a tempo das festas de final de ano, incluindo extras e fotos inéditas de Lady Gaga tiradas por ela mesma ou por fãs leais ao redor do mundo, e uma mecha de uma das muitas perucas utilizadas por ela ao longo do último ano.
O primeiro single do trabalho, "Bad romance", lançado durante a última semana de moda de parisiense, já se tornou o queridinho de quem gosta de uma boa batida para dançar como se não houvesse amanhã. Não bastasse o refrão dramático que narra as desventuras de quem sabe que entrou em uma "furada amorosa, mas quer um romance ruim mesmo assim", o beat seco e potente, e um grunhido indecifrável que gruda nos ouvidos imediatamente, "Bad romance" contou com o auxílio luxuoso do clipe dirigido por Francis Lawrence, cheio de auto-referências e imagens impactantes. A faixa, produzida porRedOne, estreou em um honroso nono lugar na Billboard americana e alcançou a décima colocação na parada britânica.
A segunda faixa do trabalho, "Alejandro", nos transporta para o universo do Abba e seus Fernandos, Robertos e amores latinos. Lady Gaga aproveita o sangue italiano que corre em suas veias e faz uma bela canção de amor e despedida. Em "Telephone", dueto com Beyoncé, uma letra sarcástica sobre deixar a mão e o coração na pista de dança, e um homem que não pára de incomodar, dá o tom das pessoas que realmente não se preocupam com romances descartáveis. "Speechless", balada escrita por Gaga em homenagem ao seu pai, um som pungente, marcado pelo piano, instrumento abraçado pela cantora desde os quatro anos de idade.
Outras faixas como "Monster", "So happy I could die", "Dance in the dark" e "Teeth" apresentam uma pista de dança diferente daquela que podemos esperar de Lady Gaga. Sons mais sombrios, mas, ao mesmo tempo, magnéticos; letras sobre alegrias tristes e tristezas tão alegres, que você podeaté morrer, dão o tom sobre o caminho que LG quer traçar em seu terceiro álbum, que possivelmente será lançado em 2010. Aguardemos, pois, as novidades que este ser mutante e fascinante trará para nos mostrar na próxima virada de esquina da passarela do pop.
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