Stefani Germanotta sempre foi (muito) estranha. Mas também nasceu sortuda: nas suas veias correm sangue latino (a família é de italianos radicados em Nova York), nenhuma gota de acanhamento e um cérebro poderoso. Enquanto estudava na Escola do Convento do Sagrado Coração, reduto de abastados e problemáticos - Paris Hilton passou por lá - Stefani chamava muita atenção. Ela inaugurou a dinastia dos nerds peformáticos. Sempre foi a primeira da classe, aceita na Escola de Artes da Universidade de Nova York aos 17 anos, mas nunca deixou de devorar revistas de moda e exercitar com fervor a vaidade. Agora, aos 23, já travestida de Lady Gaga, ela é aclamada como a maior lançadora de modismos da música pop. Ao terminar de ler a sentença anterior, vem logo a pergunta. "E Madonna, onde fica?".
Para o consultor e moda, sound-stylist e criador da radioblog SHHH.FM, Jackson Araújo, LG veio para substituir a imagem cansada de vários artistas. "Inclusive, a de Madonna, quejá não está mais à vontade em figurinos extravagantes", critica. Ele continua observando que enquanto Madonna transformou-se em fashion victim, escolhendo peças óbvias como o vestido Balmain para usar no clipe "Celebration", Gaga reinventa usos e costumes. "Ambas são boas manipuladoras de imagem. Mas Lady Gaga é hipervisual, sabe fazer clipe, blogs e alimentar o YouTube. Sua imagem codificada vale mais que o próprio discurso", analisa.
A caixa de ferramentas da moça não guarda apenas armas de última geração. Na confecção do ser indefinido, de cabelo platinado em chanel geométrico entram pitadas de todos os ícones do século 20 e início do novo milênio. O rosto pintado, o brilho excessivo e as letras escapistas são herança de David Bowie, que um dia foi Ziggy Stardust. Mas o foco sempre foi o lado mais caricato dos anos 80, com abordagem forte em Thierry Mugler e Claude Montana. Embora Cindy Lauper esteja no topo da lista de citações dos amores de Gaga, perdendo apenas para o Queen. Radio Gaga, a música de Freddie Mercury, serviu de inspiração para o próprio nome. Madonna está em todo lugar.
Esse acervo afetivo é recheado com facilidades do presente. Por exemplo? Faturar ilimitadamente. Em qualquer situação. Ela cria uma nova forma de anunciar, mais despudorada que todas as outras que já conhecíamos.
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Edição de segunda-feira, 23 de novembro de 2009
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