Cidades Edição de quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Risco de explosão nas obras da BR-101
Segundo a Fundação Rampa, pode haver gás em tubulações deixadas pelos americanos na marginal da rodovia
Andrielle Mendes Especial para o Diário de Natal Fábio Araújo // fabioaraujo.rn@dabr.com.br
Uma tubulação subterrânea de combustível, desativada desde a década de 1940, pode representar risco de explosão caso seja perfurada durante as obras de construção das marginais da BR-101. O alerta é do pesquisador Marinho Neto, integrante da Fundação Rampa. A rede de canos, utilizada pelos americanos durante a Segunda Guerra para transportar combustível do terminal das Rocas para a base em Parnamirim, foi construída ao longo da antiga pista de asfalto implantada pelos EUA, chamada Parnamirim Road. Segundo ele, a construção da marginal, além de destruir o que restou do primeiro asfalto do Rio Grande do Norte, representa risco à população.
Via que vai receber a nova marginal foi construída por militares do Estados Unidos na década de 40, para ligar Natal à Base Aérea Parnamirim Field Fotos: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Também conhecida como Pipe-line, a tubulação de ferro continua enterrada. Segundo Marinho, o combustível transportado pela tubulação era utilizado para abastecer os aviões que aterrissavam no Trampolim da Vitória durante a Segunda Guerra e depois atravessavam. Embora a tubulação esteja desativada há décadas, Marinho alerta para o risco de explosão, caso algum cano seja perfurado.
"A Fundação Rampa possui um mapa da tubulação, mas esbarra em uma série de dificuldades para localizar os canos que restaram", explica. Apesar de parte do Pipe-line já ter sido retirado e vendido na década de 70 para o ferro velho, alguns canos permanecem enterrados no trecho que liga o centro de Natal até a Base Aérea em Parnamirim.
Estudos
O superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fernando Rocha, explica que o orgão está realizando uma série de estudos para localizar a tubulação. O objetivo é evitar que as equipes do exército escavem nas proximidades da tubulação e perfurem algum cano. "Sabemos da existência da tubulação. Vamos deixar essa tubulação quieta. Não vamos mexer", assegurou Fernando Rocha.
O secretário estadual de Energia e Assuntos Internacionais, Jean Paul Prates, acompanha o processo de desativação e retirada das tubulações do Terminal das Dunas, localizado no bairro de Santos Reis. Ele considera remoto o risco de explosão numa tubulação que está desativada desde a década de 40. Jean Paul explica que o combustível transportado através de tubulação evapora com o passar do tempo. Apesar disso, ele não descarta o acúmulo de gases inflamáveis na rede. "Basta contratar um especialista para verificar a existência de gases inflamáveis na tubulação", esclarece.
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