Colunas Edição de quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Editorial
Trágico negócio
Os órgãos de imprensa da rede Associada acham-se empenhados, no momento, em esmiuçar, até onde for possível, o problema da produção, comércio e malefícios dos vários entorpecentes, sobretudo o crack. Pela facilidade relativa com que os profissionais da droga manuseiam a cocaína transformada em pequenos pedaços de pedra, o fabrico da citada droga e o intercâmbio que a partir daí se estabelece se generalizam e ampliam com assombrosa velocidade. O crack é a grande desgraça para a parte da mocidade que se deixa atrair pelos cultores do vício.
Mostra o Diario de Pernambuco que o entorpecente é produzido de modo singelo, já que pode ser preparado com um balde para facilitar a mistura da pasta da cocaína e um pequeno fogão. Diz, ainda, que há apenas 10 anos "ninguém imaginaria que esse entorpecente se espalharia pelo interior do país". É claro que inúmeras causas concorrem para esse aparente sucesso do crack, tais sejam, primeiro, o aumento da produção da coca, na Bolívia, estimulada pelas autoridades de La Paz; segundo, o baixo preço do produto, seja no campo ou já nas cidades que se mostram "liberais" para com os negociantes das pastas; e, terceiro, a simplicidade com a qual se pode elaborar, transportar e distribuir qualquer quantidade do entorpecente.
O grande disfarce é a proteção a que são submetidas as populações autóctones do altiplano boliviano, que utilizam folhas da coca para inúmeros objetivos. A coca é mastigada como costume e vício, serve de medicamento para doenças de baixa periculosidade e também para a fabricação de refrigerantes. Do que resta, tira-se a parte pior do episódio, ou seja, a coca é levada aos depósitos dos narcotraficantes e aí segue para os "laboratórios" localizados em território boliviano e em solo brasileiro.
Informa ainda a reportagem que, por viciar mais rapidamente que outras drogas, e devido ao baixo preço do crak no "mercado", já se estabeleceram quadrilhas especializadas na fabricação e distribuição do entorpecente no Brasil. Dadas as facilidades encontradas pelos delinquentes- a"pedra" pode ser fabricada até mesmo num dos aposentos de um apartamento citadino -, o comércio desse trágico produto se expande numa velocidade nunca vista. Surgem "pontos" a cada momento na periferia e também no centro das cidades, não havendo local que os "produtores" possam julgar inconveniente para o início e sequência do trágico negócio.
As rotas do narcotráfico são, hoje, na América amazonense, como as famosas rotas ho Chi Min da guerra dos vietinamitas contra franceses e norte-americanos. É impossível transitar nelas a pé, face o emaranhado que se forma pata todoo lado dos percursos. A guerra contra a coca não é diferente daquela que, na Ásia, se estabeleceu contra o ópio.
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