Com mais de 2 mil obras em andamento, Brasília não pode parar. A capital da República está prestes a completar seu primeiro meio século de vida e em 2014 será uma das cidades-sede da Copa da Mundo no Brasil. Tomada de apreensão e tristeza pelos acontecimentos recentes, com integrantes dos três poderes locais envolvidos em suspeitas de corrupção, a cidade deve respirar aliviada com a decisão do governador José Roberto Arruda de desfiliar-se do DEM e retirar-se da disputa eleitoral do próximo ano. Sensata, a atitude contribui para serenar os ânimos e abrir caminho para o fim da grave crise. Depura o ambiente político das intrigas e futricas comuns às rivalidades inerentes à luta pelo poder e favorece a apuração fiel e isenta das denúncias.
A propósito, ressalva-se a decisão do mandatário do Palácio do Buriti de, ao término do governo, responder sem foro especial às acusações de que é vítima. Está aí oportunidade ímpar para se limpar todo e qualquer entulho de corrupção da vida brasiliense, seja no GDF, seja naCâmara Legislativa ou até mesmo no Ministério Público e no Judiciário. No mais, cabe ao eleitor assimilar no todo e de uma vez por todas a lição de agora e cumprir seu papel nas urnas, não dando chance a aventureiros, não permitindo que senão aqueles de reputação inquestionavelmente ilibada tenham acesso aos cargos preenchidos segundo a vontade popular. É essa a única resposta segura para as agruras presentes, o único meio de assegurar que a capital honre o país e cumpra com retidão o seu destino de liderança.
Urge atentar-se também para as tentativas torpes de confundir nomes com instituições. A autonomia política é uma conquista definitiva de Brasília. Se a Câmara Legislativa não corresponde aos anseios do brasiliense, a falha não está na existência da Casa. É mais uma vez nas urnas que se encontrará as ferramentas capazes de mantê-la dentro dos parâmetros da democracia, do respeito à consciência do cidadão, da civilidade, enfim. Estivesse cumprindo a contento seu papel constitucional, esse poder não estaria sob questionamentos. Estaria não apenas à margem da atual crise atuado para resolver o imbróglio. Em suma, vale ressaltar, os vícios de que padecem alguns dos deputados distritais são passíveis de expurgo pela via eleitoral.
Há anos, a cidade que abriga os Três Poderes da República paga o preço de escândalos importados. É para cá que apontam os dedos quando a corrupção, a mordomia, o desmando caem na boca do povo, venham de qual for o canto deste imenso país. Desta vez, contudo, é diferente. A crise é mesmo brasiliense. E o Distrito Federal não fugirá à responsabilidade de encará-la de frente. Saberá enfrentá-la de cabeça erguida, ainda que na origem estejam graves distorções da política nacional, pelas quais não pode responder sozinho.
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Edição de domingo, 13 de dezembro de 2009
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