Esportes Edição de domingo, 13 de dezembro de 2009
Entrevista // Paulo Moroni
Como você analisa o momento do América, após esse sufoco para se manter na Série B?
Eu tive uma experiência no América na Série A, onde houve o desmanche da equipe. Quando eu cheguei aqui, aquela equipe de R$ 400 mil (folha) passou a ser de R$ 150 mil, ficando praticamente só com garotos, então não foi possível reverter o quadro. O América sempre esteve no ápice ou lá em baixo. E agora eu vejo um equilíbrio tanto de gestão como na parte técnica de futebol, pois nesse momento difícil que passou na Série B se manteve forte, sem desmanchar a equipe. O grande desafio é conseguir manter esse equilíbrio.
Qual foi o papel de Diá neste equilíbrio conquistado pelo América?
O Diá acabou proporcionado um resgate ao pessoal daqui que tem capacidade. Vem muita gente de fora que não tem a qualificação ou a experiência "local". Acho que o Diá resgatou uma nova visão de se ver melhor o trabalho do pessoal de casa. E isso será mantido agora, pois nossa equipe de trabalho será toda formada com pessoas identificadas com clube. Eu também tenho essa identificação, pois foi no América a minha primeira oportunidade em um grande time.
O fato de você ter treinado mais equipes nordestinas, principalmente potiguares, nos permite dizer que você é um treinador "local"?
Sem dúvida. Como treinador, eu sempre digo que minha escola é a nordestina. Eu tive a passagem nas categorias de base do Guarani, mas toda a carreira como treinador profissional foi aqui na região.
O fato de os grandes clubes daqui estarem apostando em técnicos com raízes locais é uma forma de amadurecimento das diretorias ou é apenas uma forma mais prática de baratear a folha de pagamento?
São as duas razões. Nosso custo é bem inferior. Mas, nós somos treinadores que estamos em busca de alguma coisa e que temos todo o gás para trabalhar. Não aceitamos um trabalho só para passar o tempo. Esse resgate busca essa raiz e afinidade com o clube.
A nível nacional também há uma tendência de se apostar em treinadores com identificação nos clubes, como aconteceu no Flamengocom Andrade e no Palmeiras com Jorginho. São casos isolados ou será mesmo um novo momento no futebol?
É sim uma nova realidade. É um ciclo que chega ao fim. Estava na hora de dar uma mudada mesmo porque estava tudo na mesmice. Havia um revezamento de treinadores. Faltava confiança das diretorias nos técnicos sem "nohall" e sem conquistas. O conhecimento no futebol é muito democrático. Muita gente entende de futebol. Administrá-lo é que não é para todo mundo.
Essa manutenção da base de jogadores que disputaram a Série B no América foi um pedido seu à diretoria?
Foi sim um pedido e praticamente todas as nossas indicações já estão com posição tomada. Eu pedi a manutenção desses jogadores porque a base é tudo. Os jogadores que virão não têm uma bagagem muito grande. São bons jogadores que estão em clubes menores e merecem oportunidade também. Campeonato estadual é diferente de uma competição de nível nacional. Mas, nosso planejamento é todo voltado para vencer o estadual, claro que também já estruturando o time para a Série B.
Então podemos dizer que essa equipe montada agora será apenas a para a disputa do estadual?
Sabemos que a base do time só é válida para a Série B se vencer o estadual. Tivemos um exemplo recente quando perdemos a decisão para o ABC e tudo que foi feito no primeiro semestre foi jogado fora. Temos consciência de que não adianta contratar só jogadores caros e não levar o estadual. Vamos fazer uma folha dentro do que é possível o América pagar, mas que vai dar numa equipe qualificada.
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