Cada vez mais popular no Brasil, o narguilé faz tão mal à saúde quanto o cigarro comum. Ao inalar a água misturada ao tabaco, o fumante está exposto às mesmas toxinas - monóxido de carbono e nicotina, que podem desencadear doenças cardíacas. A comparação foi feita por um estudo da Universidade Virginia Commonwealth publicado no início deste mês na revista médica especializada American Journal of Preventive Medicine.
Marjorie: o hábito já ficou para trás Foto: Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
De acordo com os pesquisadores, nos últimos 10 anos, o uso do narguilé, também chamado hookah ou shisha, cresceu na população norte-americana, em particular entre jovens adultos de 18 a 24 anos, por acreditarem que os efeitos colaterais à saúde seriam menores, se comparados aos do cigarro comum. "Os resultados são importantes, porque dão evidências concretas e científicas que contradizem esse mito. Ao inalar o tabaco do narguilé, a pessoa está exposta às mesmas substâncias químicas que os fumantes", disse Thomas Eissenberg, principal autor do estudo. "Esperamos que os resultados sejam usados pelos médicos e por responsáveis pelas políticas públicas de saúde para informá-los sobre os riscos da nicotina em relação a doenças cardiovasculares."
Segundo Eissenberg, essa foi a primeira vez em que um estudo científico comparou a exposição tóxica de humanos ao narguilé e ao cigarro. Desde o ano passado, o pesquisador norte-americano e o professor Alan Shihadeh, da Universidade de Beirute, no Líbano, analisaram as condições de saúde de 31 participantes entre 18 e 50 anos. Cada um dos voluntários foi submetido a duas sessões de 45 minutos, nas quais inalavam, primeiramente, o tabaco pelo narguilé e, depois, fumavam um cigarro comum. Os níveis de nicotina e monóxido de carbono no sangue eram medidos, assim como os batimentos cardíacos. Na média, os índices de monóxido de carbono verificados foram três vezes maiores quando os participantes usaram o narguilé. Já a quantidade de nicotina não variou. Segundo os pesquisadores, o tempo e o volume de cada tragada no cachimbo árabe foram 48 vezes superiores comparadoao cigarro normal. Num estudo anterior, Shihadeh já havia demonstrado que a fumaça do narguilé contém componentes que causam câncer e outras doenças. Agora, ele e Eissenberg querem continuar as pesquisas para saber que outros elementos químicos perigosos são inalados ao se usar o equipamento. Originário do Oriente, o cachimbo de água foi usado na China para fumar ópio, até a revolução comunista, e se espalhou pelo resto do mundo depois das cruzadas, na Idade Média. No Brasil, o narguilé chegou pelas mãos dos imigrantes europeus. (PO)
E eu com isso?
No Brasil, existem 24,6 milhões de fumantes, de acordo com uma pesquisa inédita divulgada no fim do mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 40% acendem o cigarro entre seis e 30 minutos depois de acordar, o que os deixa mais vulneráveis, de acordo com o estudo de Joshua E. Muscat, ao desenvolvimento de câncer de pulmão. As estimativas do Instituto Nacional do Câncer mostram que, em 2010, 28 mil novos casos desse tipo de tumor vão ocorrer no Brasil - a incidência tem aumentado 2% por ano.
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Edição de domingo, 13 de dezembro de 2009
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