Colunas Edição de sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Editorial
Dinâmica da economia
Ao fazer um balanço do ano e assinalar, em seu programa de rádio, que 2009 "foi mais do que bom", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deixou de lembrar o pânico que a crise financeira disseminou no mundo, refletindo em suas palavras uma atitude de confiança em relação ao presente e ao futuro do país e dizendo que o Brasil entra em 2010 em situação confortável, com a "economia crescendo", gerando empregos e com programas de investimentos em infraestrutura, tais como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o "Minha Casa, Minha Vida" e o pré-sal. Em sua avaliação, aliás, o Brasil vai continuar crescendo e se transformar nos próximos anos "quem sabe na sexta, na quinta, na quarta economia do mundo". Sobre o crescimento da economia no próximo ano, declarou preferir não falar em números: "Só quero dizer que a economia brasileira vai crescer o suficiente para que a gente gere os empregos necessários, gere os aumentos de salários necessários e fazendo os investimentos para melhorar a vida do povo e garantir que a roda da economia possa continuar girando". Não deixou, por outro lado, de recomendar aos brasileiros trabalho, cautela e ousadia, observando ser preciso que "a gente tenha disciplina, que a gente faça as compras necessárias, mas sem se endividar demais". Admitindo ainda a freada na economia ocorrida no último trimestre de 2008, o presidente afirmou que o problema foi corrigido e o país mostrou "competência, firmeza, ousadia e uma preparação macroeconômica vigorosa", sendo menos afetado pela crise mundial, a seu ver, justamente por ter um sistema financeiro mais sólido, e atribuindo, ademais, a recuperação alcançada, antes, afinal, de outros países, a investimentos em infraestrutura e a outros programas. Enquanto isso, as instituições financeiras elevaram a previsão de crescimento do PIB de 2010 para 5,08%, ante projeção de 5% na semana anterior, segundo a pesquisa Focus cujos resultados foram divulgados pelo Banco Central esta semana. Constata-se também, em que pesem as previsões do mercado financeiro de redução de 0,22% do PIB de 2009, de acordo com a mesma pesquisa, que a economia brasileira venceu, este ano, a mais intensa recessão para um período trimestral dos últimos 28 anos. A análise é do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e por ela se verifica que a recessão na economia brasileira causada pela crise global, e que foi do quarto trimestre de 2008 ao primeiro trimestre deste ano, revelou-se a pior, pela média trimestral, desde 1981. Sejam quais forem, portanto, os desafios que remanescem, na dinâmica de fatos econômicos e sociais a se sucederem em progressão vertiginosa, numa época marcada pela velocidade e simultaneidade de tantas transformações, o desempenho da economia brasileira, face à crise que se abateu sobre o mundo e cujas repercussões em nosso país foram inevitáveis, na trilha de uma recuperação que já torna bastante nítidos os sinais de retomada do desenvolvimento, enseja a manifestação de confiança que ora se observa.
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