Colunas Edição de sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Opinião
Escola pública, feliz ano novo
Cláudia Santa Rosa Educadora - Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE)
O calendário convencional marca o primeiro dia de 2010 e, portanto, início de uma nova volta do planeta Terra ao redor do sol. Nesta época, as pessoas se confraternizam, mandam boas energias umas às outras. Assim, dedico estas linhas para desejar um próspero ano novo à escola estatal - esperando que se torne realmente pública -, justamente por entender que ela não se reduz ao prédio. A escola é uma construção humana, na sua existência física e fazer político-pedagógico cotidiano. Ela é feita de/pelas pessoas de cada comunidade - profissionais da educação, estudantes, famílias, moradores das áreas adjacentes -, além de receber os efeitos das ações ou omissões de muitas outras, ligadas à gestão das políticas educacionais, aos demais poderes constituídos, às instituições formadoras de professores, organizações da sociedade civil e grupos empresariais.
Nunca, pessoalmente, julguei tão necessário um ano ser próspero para a escola pública. Explico: já não me apetece analisar estatísticas que revelam o baixo desempenho dos nossos estudantes em avaliações nacionais, tampouco aqueles índices que se referem às mazelas sociais em parte decorrentes da ineficiência da escola. Tem sido desconfortável, pois, comentar sobre as nossas escolas, considerando que as experiências positivas são pontuais, ilhas, aqui e acolá. O fato é que o meu discurso anda repetitivo, carente de dados novos, que nutram reflexões dos adeptos da "pedagogia da esperança", como sugere Paulo Freire.
Não pretendo ignorar a realidade e os seus problemas, antes pelo contrário. Quero dizer que estamos bem de diagnósticos, mas carenciados de ações que alterem a realidade educacional, produtora de fracasso. Ora, o estado brasileiro já conseguiu a façanha de tornar a escola acessível para quase todos. Universalizou o acesso ao ensino fundamental, ampliou investimentos, lançou um conjunto de programas, criou um sistema nacional de avaliação, tem cuidado da formação inicial e continuada dos professores, comemora a definição de um piso salarial para o magistério.
Esse quadro tem levado especialistas e gestores públicos a se debaterem diante dos resultados pífios da escola básica estatal, apurados e publicizados pelos órgãos oficiais. De fato, convém perguntar: por que tão elevado número de estudantes não aprendem na proporção e no tempo certo? O que é preciso para a escola prosperar? Pela exiquidade deste espaço, vou tocar em apenas um dos pontos, aquele que considero essencial: a GESTÃO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR, nos órgãos centrais e nas escolas.
A propósito, tenho perguntado aos gestores de escolas particulares o que, na opinião deles, se constitui em mais-valia que determina o bom funcionamento das suas instituições. Como resposta, ouço: clareza do que queremos, planejamento, controle, monitoramento, cobrança de resultados. As escolas particulares são autônomas. Cada uma tem o seu projeto pedagógico, organiza calendário letivo, assume a própria formação continuada dos profissionais, gere oseu orçamento, contratam e demitem quando e quantos julgam ser necessário, mas também fecham as portas quando não apresentam resultados. Questiono: por que será que tal estrutura não pode funcionar na escola estatal?
Na realidade, o estado brasileiro mantém a educação com uma estrutura pesada, pois, enquanto discursa sobre autonomia e gestão democrática das escolas, rega um terreno em que perpetua a subserviência das unidades a uma hierarquia e dependência administrativa, financeira e pedagógica sem precedentes. As Secretarias e o Ministério da Educação não fazem o que talvez justificasse as suas existências: acompanhar os resultados das escolas; analisar os programas e projetos das mesmas; aprovar e repassar os recursos, conforme o orçamento de cada unidade escolar, monitorando a sua execução; criar espaços de assessoramento àquelas que revelarem necessidade. O que falta para experimentarmos uma proposta diferente de gestão? O modelo atual já provou que não funciona.
2010
José Carlos L. Poroca executivo do segmento shopping centers
O calendário é uma invenção dos antigos para "amarrar" compromissos, prestação de contas, etc. Existem dois para valer: o da natureza, no processo de amanhecer e anoitecer, que dura 24h, e está ligado ao movimento de rotação do Planeta em torno de si mesmo; e o dos seres animais, que consiste em nascer, viver e morrer. Há um terceiro, que demora 365 dias, o tempo do movimento da terra em volta do sol. Os outros (romano, chinês, árabe, judaico, etc.) foram criados pela relação com a história e, como foi dito, com outros fins.
Ficamos mal acostumamos e continuamos achando que o ano novo começa em janeiro. No Brasil, temos tradição e base histórica para torná-lo mais flexível, em função do Carnaval e/ou de eleições. Eliminaria a mania de transportar neve artificial para árvores artificiais em pleno verão e os encontros de inimigos ocultos e afins. Acabaria com as retrospectivas já programadas e que sempre me dão a sensação de parentesco com caranguejos, guaiamus e siris. O ideal seria um final diferente e um início apoteótico, num espírito mais escrachado (no sentido de descuidado, não se ofendam), mais coerente com a realidade do País.
A proposta é séria, mas, como sabemos, dependeria de projeto, criação de comissões, aprovação nas casas legislativas, assinatura de presidente, ou seja, mudança para o Séc. XXII. Descartada a possibilidade, temos que nos contentar com o Feliz Natal e o Próspero Ano Novo europeu e americano que existem desde quando criaram um período para aquecer as vendas baixas em função das frias temperaturas. Diante da perspectiva nada otimista de mexida, contentemo-nos com a velha ladainha e, claro, continuemos marcando a folhinha
Contentemo-nos com "mais um ano que passou" e com os votos - nem sempre sinceros - que damos e recebemos. Podemos pegar o período e fazer uma reflexão (não confundam com retrospectiva) dos nossos comportamentos durante este ano, tendo sempre em mente o principal: pensou, pecou. Podemos aproveitar a deixa e perguntar se cesta de fim de ano elimina o pecado ou pode ser classificado como atenuante. Podemos começar a questionar se o abraço dado nos templos ou fora deles transforma os vizinhos em amigos, e vice-versa. O momento também é propício para analisarmos os verdadeiros papéis das cuecas e das meias.
Eu, por exemplo, estou tentando fazer a minha parte. Começo, pedindo perdão aos que me aturaram nos meses de 2009. Já pedi ao 'velhinho' para que a cota de paciência e tolerância venha um pouco maior, para receber o ano novo que está a caminho. Como estão dizendo que em 2010 passaremos à condição de país do futuro e seremos todos ricos, provavelmente, no fim deste ano estarei enviando cartões com mensagens diferentes. Ainda não escolhi o roteiro, mas já estou aprendendo como se diz/escreve lenço branco nas línguas inglesa e francesa.
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