Técnicas como acupuntura e tai chu chuan são cada vez mais aplicadas em tratamentos de saúde e bem-estar
Erta Souza // ertasouza.rn@dabr.com.br
Homeopatia, acupuntura e fitoterapia são práticas de saúde alternativas cada dia mais utilizadas pelos brasileiros. Aliadas às práticas corporais da medicina chinesa como lian gong e tai chi chuan, esses procedimentos têm aumentado o acesso de brasileiros à saúde com um diferencial relevante: a gratuidade. De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde o número de procedimentos em acupuntura aumentou, no Brasil, 122%, e de práticas corporais como o tai chi chuan aumentou cerca de 358%.
A fisioterapeuta acupunturista Maria das Graças Bezerra trata paciente durante sessão Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
Apesar do crescimento, o número ainda é tímido. No Rio Grande do Norte a história se repete. Dos 167 municípios potiguares, apenas quatro oferecem as práticas alternativas: Assu, Ruy Barbosa, Tangará e Natal. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), das 72 unidades de saúde da capital potiguar, as terapias alternativas como biodança, terapia comunitária e acupuntura são oferecidas em apenas duas.
Mesmo parecendo um número pequeno, a coordenadora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), Carmem De Simoni, afirma que "devido às dificuldades encontradas nessas práticas alternativas, os dados do Estado não são tão ruins assim. Em 2008 foram realizadas 2,2 mil consultas. Em alguns estados essas terapias não são oferecidas", conta.
A acupuntura, por exemplo - recurso terapêutico da medicina chinesa - auxilia na diminuição dos sintomas e cura diversas doenças, além de ajudar pacientes que são dependentes químicos, pessoas que precisam se reabilitar após um acidente vascular cerebral, com cefaléias (dor de cabeça) ou dismenorréias (cólica menstrual). A acupuntura é um excelente "remédio" para as pessoas que sofrem com artrites e artroses. De acordo com a fisioterapeuta acupunturista, o recurso pode ser utilizado em mais de 560 pontos do corpo humano em músculos, tendões e ligamentos.
A auxiliar de serviços gerais Joseana Dantas, 27, nunca tinha imaginado fazer uma sessão de acupuntura, mas há dois meses precisou de uma e aprovou a iniciativa. "Bati as costas em um balcão e fiquei com uma mancha enorme. Sentia dores e não conseguia dormir direito. Por isso decidi mostrar à médica e ela fez uma sessão. Mesmo com medo enfrentei as agulhinhas e no mesmo dia consegui dormi porque as dores aliviaram. Recomendo a acupuntura para todo mundo", conta.
Sem contraindicação
De acordo com a fisioterapeuta acupunturista Maria das Graças Bezerra, a terapia alternativa não tem contraindicação. A quantidade de sessões também não é fixa, depende de cada patologia e de como o próprio paciente responde ao tratamento, porém o mínimo de 10 sessões devem ser feitas. "O ideal é que seja feitas duas vezes por semana para que resultado obtido seja o esperado", explica a fisioterapeuta. O acesso gratuito às práticas de saúde alternativas poderiam amenizar as dores de milhares de pessoas que sofrem sem saber do diagnóstico e diminuir as filas de espera por consultas médicas e procedimentos especializados de alta complexidade.
A fisioterapeuta explica que, atualmente, as unidades de saúde que oferecem a prática como alternativa dependem do trabalho voluntário dos médicos. "Recebemos a garantia da Secretária Municipal de Saúde, Ana Tânia Sampaio, que essas práticas serão institucionalizadas quando os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) forem implantados. Essas terapias deverão funcionar nas unidades de saúde que dispõem de profissionais qualificados para exercer a prática", esclarece a fisioterapeuta.
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Edição de domingo, 10 de janeiro de 2010
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