Para empresas, é epoca de adiamento de dívidas. Para funcionários, é tempo de compras e quitação de débitos
Dois dados referentes a crédito, um divulgado em dezembro e outro na semana passada, são à primeira vista conflitantes. Segundo o indicador da Serasa Experian, tornado público no fim de 2009, a inadimplência das empresas cresceu 9% em novembro em relação a outubro. No acumulado de janeiro a novembro, a inadimplência empresarial expandiu 21,7%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Mas no que se refere aos recursos tomados por consumidor, basicamente pessoas físicas, o Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SPC) informou na semana passada que a inadimplência apresentou em 2009 uma queda de 14,9% em comparação com o ano anterior.
Trabalhadores saem às compras enquanto empresários contabilizam contas a pagar e a receber Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
Uma análise apressada apontaria um paradoxo: quem compra vai bem, mas quem produz e vende vai mal. O problema, entretanto, é mais complexo e muitos fatores precisam ser levados em conta, afirma o analista do Sebrae Nacional, Roberto Marinho Figueiroa Zica. O fim de ano apresenta dinâmicas diferentes para empregadores e empregados. Empregadores enfrentam o desafio de arcar com fortes desencaixes, como pagamento de férias e 13º, além de impostos, o que pode significar o adiamento de pagamentos de empréstimos tomados. Já para os assalariados, férias e 13º em mãos são a oportunidade para a quitação de dividas vencidas e até mesmo antecipar quitações.
Janeiro é o mês das empresas, principalmente micro e pequenas, ajustarem as contas passadas e planejar o fluxo de caixa semestral. E é bastante provável que os indicadores de inadimplência empresarial se arrefeçam. A maioria das vendas de Natal foi feita de forma parcelada no cartão e no cheque, receitas prestes a serem efetivadas. Segundo Zica, é hora de contabilizar se o ano passado fechou mesmo no azul e programar compras para atender as novas necessidades da clientela. "Afinal, o ano não é feito só de Natal e o foco já está em fevereiro, o mês do carnaval e da volta às aulas. Além disso, a expectativa é de crescimento econômico", comenta. Ou seja, de mais faturamento para quem produz , vende ou presta serviços.
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Edição de domingo, 10 de janeiro de 2010
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