Por sua vez, o britânico MJ Gohel, especialista em terrorismo pela Asia Pacific Foundation (em Londres), admite o caráter transnacional do perigo apresentado pela Al-Qaeda e por grupos islâmicos afiliados. No entanto, não põe em xeque a capacidade de resposta das autoridades norte-americanas à ameaça. "Os serviços de inteligência e de segurança dos EUA estão totalmente preparados e têm sido muito eficientes na prevenção de ataques terroristas. Eles possuem uma compreensão muito boa sobre a Al-Qaeda e o movimento da jihad (guerra santa) global", comentou.
Exatamente por isso, Gohel recebeu com perplexidade o primeiro discurso de Obama após o incidente - o presidente qualificou o ato como isolado. "Esse foi um complô altamente sofisticado, para perpetrar uma grande atrocidade sobre o solo dos EUA", alertou. O analista da AP Foundation sustenta que nenhum país é capaz de garantir um nível de 100% de segurança. Em parte, por culpa da democracia. "Infelizmente, essas nações são abertas e tolerantes. Elas se abrempara ataques de elementos que utilizam de uma liberdade excessiva para destruir", concluiu.
De acordo com ele, todos os países mantêm uma teia eficiente de dependência no compartilhamento de informações e de inteligência. "No caso da tentativa de atentado contra o voo da Northwest Airlines, os serviços de inteligência dos EUA dependiam dos serviços de segurança do aeroporto de Amsterdã para assegurar que todos os passageiros haviam sido monitorados", explica Gohel. Por sua vez, Amsterdã dependia do aeroporto de Lagos (Nigéria). "Outro problema é que muitos aeroportos transferiram a responsabilidade da vigilância para empresas privadas. Na busca do lucro, essas companhias tendem a contratar funcionários mais baratos e nem sempre bem treinado", acrescenta Gohel, que defende a não-terceirização desse tipo de serviço.
As falhas cruciais
11 de setembro de 2001
Movimentação financeira
Os 19 terroristas que explodiram as torres gêmeas do World Trade Center e parte do Pentágono gastaram cerca de US$ 270 mil dentro dos Estados Unidos para a obtenção de passaportes e vistos, entre outros. Usaram bancos diferentes, abrindo contas em seus nomes. As autoridades americanas não desconfiaram de nada
As autoridades norte-americanas sabiam que, entre 8 e 9 de setembro, o egípcio Mohammed Atta sacou dinheiro depositado por um representante de Osama bin Laden nos Emirados Árabes Unidos, em um banco da Flórida. Atta devolveu dinheiro não usado na mesma conta nos Emirados. Ninguém suspeitou dele
Aulas de pilotagem
Os extremistas Mohammed Atta, Khalid Al-Mihdhar, Nawaf Al-Hazmi, Waleed Al-Shehri, Wail Al-Shehri, Abdulaziz Alomari, Marwan Al-Shehhi e Ziad Samir Jarrah receberam instruções de voo dentro dos Estados Unidos. Foram os responsáveis por pilotar os quatro aviões sequestrados
Documentos forjados
Os conspiradores usaram identidades falsas para dificultar o rastreamento dasautoridades. As agências de segurança também confundiram os nomes de suspeitos, por falta de domínio do idioma árabe
Aeroportos
Os terroristas conseguiram burlar a segurança dos aeroportos de Boston, Washington e Newark e entraram nos aviões com facas e estiletes
25 de dezembro de 2009
Denúncia na embaixada
O pai de Oumar Farouk Abdulmutallab procurou funcionários da Embaixada dos EUA, em Abuja (Nigéria), em 18 de novembro passado. Alegou que o filho recebia influências de extremistas e que ele pretendia viajar ao Iêmen. As autoridades não perceberam uma ameaça
Visto
Mesmo constando na lista de possíveis suspeitos de terrorismo, os EUA emitiram visto em nome de Abdulmutallab
Embarque em Amsterdã
As autoridades norte-americanas tinham informações suficientes sobre Abdulmutallab, inclusive o fato de ele ser um provável terrorista da organização Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP). Ainda assim, o nigeriano conseguiu embarcar no voo 253 da Northwest Airlines, em Amsterdã
Erro de inteligência
Os EUA tinham informações fragmentadas sobre Abdulmutallab, entre meados de outubro e fim de dezembro de 2009. As agências de inteligência sabiam que a AQAP preparava ataques iminentes contra americanos e interesses americanos no Iêmen. Mas falhou em ligar os pontos
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Edição de domingo, 10 de janeiro de 2010
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