Cidades Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Homem é executado horas após brigar com pastor na ZN
Vítima, que teria agredido evangélico em frente à igreja, foi assassinado a tiros por dupla de encapuzados
Paulo de Sousa // jpaulosousa.rn@dabr.com.br
Um ato de crueldade contra um cão teria sido o estopim para a discussão entre o desempregado Carlieudo Nascimento da Silva, 26 anos, e o pastor evangélico Éric César Gomes, 34. Éric afirma ter sido agredido por ele com socos e cadeiras plásticas à porta da igreja, na comunidade de Beira Rio, no bairro de Igapó, Zona Norte de Natal, por volta das 16h do domingo. Horas depois da confusão, o desempregado foi morto a tiros por dois homens ainda não identificados, encapuzados e armados, quando chegava em sua casa, na Travessa Olga Luzia, também na comunidade. A esposa da vítima, a estudante Rayane Paula Gomes da Silva, 15, nega que Carlieudo tenha agredido o religioso. O pastor acredita que inimigos de seu agressor aproveitaram a oportunidade para eliminá-lo e relacionar a execução à briga entre ele e o desempregado.
Briga entre desempregado e pastor ocorreu em frente a essa igreja da Assembleia de Deus em Igapó Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
Éric César conta que, por volta das 16h do domingo, tinha acabado de chegar à unidade da igreja evangélica Assembléia de Deus que dirige na comunidade, apósuma reunião com os demais pastores do bairro. Segundo ele, enquanto estava à porta do templo, presenciou Carlieudo e seu cachorro tipo Rottweiler espancarem um cão de uma das fiéis de sua congregação. O religioso acredita que o rapaz estava drogado no momento e, depois de a dona do cão agredido conseguir sair dali, o desempregado passou a discutir com ele e sua esposa.
"Ele veio para cima de mim e perguntou se eu tinha achado ruim ele ter matado o outro cachorro. Eu não reagi e fiquei calado, só observando. Ele me agredia com palavras e ao meu Deus. Depois ele avançou contra a minha esposa, xingando-a e perguntando a mesma coisa. Eu então me aproximei, mas também sem falar nada. Aí ele veio contra mim e começou a me dar socos. Eu apenas me defendia. Ele então pegou uma das cadeiras de plástico e bateu. Eu amparei com os braços, mas as lascas da cadeira atingiram minha cabeça. Ele deu de novo, dessa vez atingindo em cheio minhas costelas, e caí no chão".
A esposa do pastor, a professora Geiza Dantas Rocha Gomes, 40, diz que, nesse momento, ela e outros fiéis socorreram seu marido no chão e correram para dentro do templo, pois Carlieudo decidiu apanhar um paralelepídedo. "A gente trancou a porta e ele arremessou a pedra, arrombando-a. Acredito que, se não tivéssemos tirado o pastor dali, ele tinha pego a pedra para esmagar-lhe a cabeça". Outros moradores da comunidade tentaram conter o desempregado, mas não conseguiram. Ele só deixou o local, segundo Geiza Dantas, com a chegada da polícia. "Foi aí que ele fugiu". Logo em seguida, Éric César foi levado ao Hospital Santa Catarina, onde recebeu três pontos na cabeça. Ainda foi avaliado se havia fratura nas costelas e nos braços, mas ficou constatado apenas os hematomas. O culto naquela noite foi cancelado, os equipamentos de som retirados para outro local e o templo foi trancado, temendo nova investida.
A execução
Horas depois, Carlieudo Silva teria retornado à comunidade e passou a beber em um bar próximo à igreja, segundo a polícia. Segundo sua esposa, quando elevoltava para casa, por volta das 22h, dois homens encapuzados teriam abordado-o e atirarado dez vezes contra o desempregado, que morreu ainda no local. Para Rayane Paula, a morte de seu marido nada teve a ver com a discussão com o pastor. "É porque ele gosta muito de ajudar as pessoas aqui na Beira Rio e em toda briga, ele aparece para apartar. Então, tudo o que acontece aqui, dizem que foi ele". Ela diz que Carlieudo discutiu com o pastor, mas não chegou a agredir Éric.
Geiza acredita na revolta de outros moradores. "Nós somos muito queridos no local por desenvolver trabalhos sociais entre eles. Alguém deve ter se revoltado". O caso será agora investigado pela 9ª delegacia de Polícia no Panatis.
O pastor também acha que rivais de Carlieudo se aproveitaram. "Ele tinha muitos e usaram o fato para matá-lo e dizer depois que foi por ele ter batido no pastor".
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