Se o problema do veículo permanecer 30 dias após sair da oficina, o consumidor tem direito a exigir um carro novo
Rosa Falcão // rosafalcao.pe@dabr.com.br
A empolgação ao pegar a chave do carro zero pode trazer surpresas desagradáveis quando são descobertas após cruzar o portão de saída da concessionária. Problemas como mossas, arranhões, frisos quebrados, pintura desigual, ar-condicionado quente. São algumas broncas que podem tirar o gostinho do veículo novo. Prevenir ainda é melhor do que remediar. É recomendável fazer uma vistoria detalhada antes de assumir a direção da máquina nova. Mas é bom saber que os consumidores que pegam o carro com defeito têm como exigir os seus direitos. Entre eles, a troca por um veículo do mesmo modelo em perfeitas condições, o desconto proporcional ao valor do carro, ou o dinheiro de volta para quem está ressabiado e deixou de confiar no fabricante.
Bernardo Limongi descobriu que o carro recém-comprado foi batido antes de retirar o veículo da concessionária Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
O Código de Defesa do Consumidor (CDC), artigo 18, trata esses problemas como "vícios" e estabelece regras para que as concessionárias e as montadoras resolvam o problema contemplando a vontade do consumidor. A assistente de direção da FundaçãoProcon de São Paulo, Valéria Cunha, explica que a concessionária deve resolver o problema no prazo máximo de 30 dias. Mas é bom ficar de olho para pedir a cópia da ordem de serviço com o detalhamento dos reparos e das peças trocadas. "A legislação determina que uma vez submetido à assistência técnica e se após 30 dias não resolver o vício, o consumidor pode pedir o cancelamento da compra e reaver o valor pago", reforça.
A atenção do engenheiro Bernardo Amaral Limongi, 30 anos, não evitou dor de cabeça, mas não o deixou no prejuízo. Ele comprou um Palio Weekend Adventure, zero quilômetro. No dia que foi pegar o carro na concessionária percebeu o friso lateral mal encaixado e a cor da tampa do tanque de combustível diferente da cor da carroceria. "Suspeitei que o carro foi batido e pintado. No outro dia voltei com um lanterneiro e vi outros defeitos que confirmaram a minha suspeita", conta. A gerência da loja negou que o carro foi batido e não quis desfazer o negócio. "Foi uma briga que durou quase 20 dias porque eu tinha dado um carro usado de entrada e financiado o restante no banco, além pagar os acessórios no cartão de crédito". Com a ajuda de um advogado, Bernardo conseguiu desmanchar o negócio.
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Atualizado em 08|02|2010
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