Economia Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Facilidade que ameaça o emprego
Desemprego se agrava rapidamente nos países em que a legislação trabalhista é flexível e há baixo nível de direitos
Liana Verdini // lianaverdini.df@dabr.com.br
O fantasma das demissões tem assombrado os trabalhadores ao longo do período de crise global. Não é para menos. Além de o desemprego ter alcançado níveis nunca antes registrados em todo o mundo, com 212 milhões de pessoas sem emprego formal em 2009 e 1,5 bilhão (50,6% da força de trabalho global) em ocupações vulneráveis, relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - World of Work Report 2009 - calcula que nos países mais ricos o emprego não voltará aos níveis anteriores aos da crise antes de 2013. E nos países emergentes e em desenvolvimento, a oferta de vagas pode começar a se recuperar a partir deste ano, mas só retornará aos níveis pré-crise em 2011.
Operário brasileiro: inovações na legislação e rigor na fiscalização são algumas das vantagens do país Foto: Glauco Spindola/DP/D. A Press
As estatísticas mostram que a situação se agravou mais rapidamente naqueles países com legislação trabalhista mais flexível - que permite a contratação de temporários com baixo nível de direitos empregatícios e facilita a demissão. É o caso, principalmente, de Espanha, Irlanda e Estados Unidos. Estudo daOrganização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que em novembro de 2009 o desemprego na Espanha alcançou 19,4%, número 5,4 ponto percentual acima do registrado um ano antes. Na Irlanda, a alta foi de 5,2 ponto percentual, atingindo 12,9%. E nos Estados Unidos o aumento foi de 3,1 ponto percentual, chegando a 10%.
Em compensação, em países com leis trabalhistas mais pró-empregados, a evolução do desemprego foi mais lenta. Caso da Alemanha, com 0,5 ponto percentual acima do número de um ano atrás, alcançando 7,6% de desemprego em novembro. Da Itália - expansão de 1,2 ponto percentual - com 8,3% de desemprego no penúltimo mês do ano passado. E França, com 1,7 ponto percentual de aumento, atingindo 10%. Na Noruega, onde o governo em janeiro de 2009 adotou medidas de proteção ao emprego, o índice evoluiu 0,4 ponto percentual em relação a outubro de 2008, registrando 3,2% em outubro do ano passado.
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