Mundo Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Sanções contra o Irã
Estados Unidos e França endurecem discurso após anuncio de enriquencimento de Urânio
Os Estados Unidos e a França consideram que a última posição iraniana sobre o polêmico programa nuclear marca o fracasso das negociações e exige agora seguir o caminho das sanções econômicas e diplomáticas, para o qual buscarão consenso da comunidade internacional. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o ministro da França, Hervé Morin, concordaram que o anúncio feito no domingo pelo Irã de que vai enriquecer urânio a 20% ignora todas as ofertas de diálogo feitas ao país pela comunidade internacional."O Irã rechaçou tudo", lamentou Gates em uma entrevista conjunta à imprensa com Morin, que ressaltou a "total convergência" de posições sobre a análise da situação e os passos que são necessários."Toda a comunidade internacional tentou estabelecer condições de diálogo durante meses" com o regime iraniano, mas "não se conseguiu nada", explicou o titular francês de Defesa, que disse ter "a certeza e a convicção" de que os programas nucleares iranianos "têm um alvo militar".Por isso, Morin considerou que "infelizmente será necessário um diálogo internacional que levará a novas sanções", já que não há alternativa a "trabalhar com novas medidas" contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas."Temos que encontrar uma forma pacífica de resolver esta questão", o que exige que toda a comunidade internacional se una para pressionar Teerã, afirmou Gates.Questionado sobre se tem garantias de que Israel não atacará militarmente o Irã, o secretário respondeu que "todos estão interessados que a questão se resolva sem chegar a um conflito".No entanto, Gates ressaltou que "é preciso enfrentar a realidade" e se o Irã chegar a ter armas nucleares, haverá uma escalada de proliferação no Oriente Médio e "este é um grande perigo".Diante dessa perspectiva, insistiu na intenção de utilizar "os canais econômicos e diplomáticos".Gates, que ontem se reuniu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e enfatizou que "a comunidade internacional ofereceu diversas oportunidades ao Irã" para demonstrar que o urânio enriquecido eranecessário para seu reator de pesquisa, e não para fins militares.Se for considerado o fim da diplomacia, o próximo passo será a pressão da comunidade internacional e votar uma resolução no Conselho de Segurança.
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