Economia Edição de sexta-feira, 5 de março de 2010
Menos empregadas domésticas no NE
Setores de comércio e serviços têm sido mais atraentes para as trabalhadoras, aponta pesquisa
Brasília - As mulheres da Região Nordeste estão se voltando mais para o trabalho nos setores de comércio e serviços do que o de empregadas domésticas. É o que mostram os resultados da pesquisa A Mulher nos Mercados de Trabalho Metropolitanos, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo os dados, o comércio perde apenas para os serviços, sendo o segundo maior empregador em Salvador (17,1%), Fortaleza (19,7%) e Recife (19,8%). Já em São Paulo, as atividades domésticas representam 17,1% da força de trabalho, perdendo, também para o setor de serviços - maior empregador do país, respondendo por 55% a 61% da oferta do emprego tanto para homens como para mulheres nas regiões metropolitanas pesquisadas.
Quantidade de comerciárias tem crescido no mercado de trabalho nordestino, em detrimento do trabalho doméstico Foto: Rafaela Tabosa/D.A Press
O aumento da escolaridade, em especial das jovens, e as precárias condições de trabalho - como os baixos salários e as jornadas extensas - são motivos que podem explicar a migração de parte das trabalhadoras domésticas para outros setores. Em Recife, por exemplo, a jornada média é de 54 horas, número que sobe para 58 entre aquelas com carteira assinada. Em Fortaleza, a média chega a 50 horas (53 horas, com carteira). A legislação do País prevê 44 horas semanais. As trabalhadoras domésticas ganham apenas 37,7% da média dos trabalhadores ocupados em Salvador, 40,7% em Fortaleza, 46,3% em Recife e 52,1% em Porto Alegre. Por essas características, em algumas regiões o trabalho doméstico deixou de ser uma opção relevante de inserção no mercado para as jovens. Em 2009, 77% das mulheres ocupadas no serviço doméstico tinham entre 25 e 49 anos.
Crise
Outro dado divulgado ontem foi que os efeitos da crise econômica internacional afetaram mais os homens que as mulheres no mercado de trabalho brasileiro em 2009, mas as desigualdades históricas de renda persistem. No ano passado, as mulheres ocuparam mais postos de trabalho que foram criados e, por conta disso, a taxa de desemprego feminina recuou, ao contrário da masculina. Mas apesquisa também mostrou que permanece grande a diferença entre os salários de homens e mulheres. "Dois mil e nove foi um ano bom, mas precisaríamos de muitos mais como esse para equiparar a condição da mulher no mercado de trabalho", afirmou a socióloga Márcia Guerra, analista do Seade.
+ Mais Mulheres trabalham cinco horas semanais a mais do que homens
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