Economia Edição de sexta-feira, 5 de março de 2010
Produção // Indústria ainda não voltou aos níveis anteriores à crise
Brasília - Embora a utilização da capacidade instalada da indústria tenha ficado estável em janeiro, como revelou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor ainda não alcançou os níveis de produção e emprego registrados antes da crise que se instalou no Brasil no último trimestre de 2008.
Flávio Castelo Branco, da CNI, acredita que recuperação é uma questão de tempo Foto: Carlos Moura/CB/ D.A Press
O gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, observa, no entanto, que a trajetória dos indicadores tem mostrado sinais positivos. Segundo ele, se ao longo de 2010, o crescimento continuar no ritmo atual, o setor industrial irá superar os efeitos da crise, a depender de variáveis. O emprego, por exemplo, deve demorar um pouco mais, talvez até meados do segundo semestre, para se recuperar porque, na avaliação de Castelo Branco, foi um dos segmentos mais afetados.
É importante observar que a variação da capacidade instalada em 0,1 ponto percentual, abaixo do resultado anterior, mostra que existe espaço para aumentar a produção "sem gerar pressões no meio do setor industriale atender a demanda", destaca o economista. Em dezembro, o índice cresceu 81,5% e, em janeiro deste ano, 81,4%. Em comparação a dezembro de 2009, o índice cresceu 77,8%. O faturamento real, que registrou recuo de 3,6% no mês passado, na comparação com dezembro, pode apresentar recuperação ao setor industrial em meados deste semestre, estima Castelo Branco.
Ele reafirmou que não vê risco do aumento do consumo doméstico comprometer o crescimento da economia brasileira, como têm previsto alguns analistas. Para ele, uma das "grandes alavancas" para o Brasil ter superado a crise foi justamento o consumo interno, que já vinha antes da crise e terminou reduzindo o impacto da crise externa no país.
"Não vejo como uma ameaça. O que devemos fazer é nos adequar ao novo ambiente da economia internacional e estimular os exportadores, que ainda estão sendo bastante afetados pela baixa demanda externa", disse. O economista também acredita que o ambiente de retomada e normalização da atividade irá fomentar a trajetória do investimento que vinha sendo observado em 2008, quando a economia brasileira registrou excelente indicadores.
"À medida que as empresas se aproximam do seu limite, passam a se antecipar e investir, para não ficar sem possibilidade de atender a demanda, e realizam investimentos. Contratam mais e geram mais renda. Roda que move o crescimento", concluiu.
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