Natália Medeiros tem 15 anos e cursa o 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual João Alencar de Medeiros (EEJAM), a única da rede estadual no município de Ipueira, no Seridó, a 314km de Natal. Ela e mais 234 estudantes da cidade não frequentam as aulas há oito dias e ainda se perguntam quando poderão voltar à escola. A ausência tem um motivo: uma sala de aula cujo teto desabou por volta das 18h do último dia 10. O medo de voltar às aulas atormenta pais e alunos. Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Caicó interditou o prédio até que seja feita uma reforma.
Telhado da unidade, que não recebe manutenção há 13 anos, ruiu no último dia 10, inviabilizando as atividades Foto: Yure Sousa/Divulgação
Além da EEJAM, o município tem mais uma escola apenas de ensino fundamental. A mãe de Natália, a agente administrativa Rita de Cássia Medeiros, diz que não tem coragem de deixar a filha retornar para a escola na situação em que se encontra. "Uma sala desabou e as outras estão em situação de risco. Isso é um descaso com os estudantes e com a educação do estado".
Paraa professora Maria de Fátima Nóbrega, as imagens de destruição e medo estão marcadas na memória. Ela estava sozinha na sala quando viu o telhado cair aos seus pés. Hoje comemora o fato de não ter sofrido ferimentos graves e do desabamento não ter causado uma tragédia, já que mais de 20 alunos poderiam estar na sala. "Estava aguardando a chegada dos alunos quando tudo aconteceu. Ainda não me recuperei do susto", comentou a professora.
O diretor Erivan Morais da Nóbrega afirmou que as aulas devem voltar ao normal na próxima semana e serão ministradas em locais improvisados como a igreja, a casa paroquial e antiga sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. A biblioteca vai funcionar no prédio do antigo sindicato, distante de todas as salas de aula improvisadas.
Segundo Erivan, em julho do ano passado a escola recebeu uma verba de R$ 14 mil do governo do estado para recuperar uma caixa d`água e de parte do muro, que já havia caído por falta de reforma. "Com esse dinheiro ainda conseguimos pintar a escola, mas não foi possível fazer nenhum reparo na estrutura do prédio". A escola foi inaugurada em 1986. Desde então, só foi restaurada uma vez, 11 anos depois. Além dos 140 estudantes do estabelecimento estadual, o prédio abriga cinco turmas da Escola Municipal Francisco Quinino, formando 95 alunos.
Reforma
O subcoordenador do setor de engenharia da Secretaria Estadual da Educação e da Cultura, Lenilson Neves, afirmou que um engenheiro da equipe técnica da pasta foi à escola em Ipueira e confirmou que o prédio está desgastado por falta de manutenção. Segundo ele, a reforma já está licitada, tramitando na Secretaria de Estado da Infraestrutura. "É a parte mais burocrática. Esse processo todo começou há cerca de cinco meses, ou seja, a obra na escola já estava prevista".
De acordo com Lenilson, a documentação retornará à pasta da Educação, para ser assinada pelo secretário Otávio Tavares, e, depois, voltará à Infraestrutura, que fará o contrato para o início da obra. "Será uma grande reforma e ampliação", explica, ressaltando que a construção está inserida no projeto Brasil Profissionalizante, inserindo a Escola Estadual João Alencar de Medeiros nesta categoria de ensino. "O recurso é federal, por isso não pudemos fazer as mudanças antes. De qualquer forma, pedimos à Infraestrutura que o processo seja agilizado".
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quinta-feira, 18 de março de 2010
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br