Economia Edição de quarta-feira, 26 de maio de 2010
Milho chega mais tarde e mais caro
Falta de chuvas ocasionou o atraso no produto, bastante procurado nesta época por conta do São João
Luan Xavier // luanxavier.rn@dabr.com.br
Os tradicionais canteiros cheios de milho nas principais ruas e avenidas de Natal devem demorar a aparecer este ano. Isso porque o volume de chuvas no interior do estado está abaixo do esperado. O atraso deve ocasionar alta no preço do produto, bastante procurado nesta época do ano por conta do São João. Em 2009, a mão do milho (50 espigas) custou em média R$ 22,50, mas este ano deve pesar mais no bolso dos que optarem por fazer uma festa tradicional.
A mão do milho, com 50 espigas, custou R$ 22,50 neste período em 2009 Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza reuniões mensais para avaliar a situação das safras de diversas culturas no estado. Na última reunião, realizada no começo deste mês, a expectativa era de que a safra do milho em 2010 sofresse uma queda de no mínimo 20% em relação à do ano passado, implicando na demora do aparecimento dessa cultura no comércio. O supervisor de estatísticas agropecuárias, Elder Costa, explica que nos cinco primeiros meses do ano já se configura uma queda de produtividade em relação à 2009.
O supervisor afirma que a expectativa é que a redução da produtividade seja ainda maior, mas esses dados só poderão ser quantificados na próxima reunião mensal, prevista para o início de junho. De acordo com Elder, "o milho é a cultura que tem se mostrado mais afetada pela ausência das chuvas".
A assessoria de imprensa da Ceasa informou que esse ano a cultura irrigada do milho irá predominar, devido à queda pluviométrica, criando a expectativa de aumento no preço do produto, que custou em média R$ 22,50 a mão (50 espigas) no ano de 2009. Embora ainda não esteja sendo visto no comércio de rua, a presença do milho já está sendo garantida por alguns produtores que reservaram espaço na Feira do Milho, que será realizada entre os dias 12 e 30 de junho, no Pátio da Central de Comercialização da Agricultura Familiar (cruzamento das avenidas Mor Gouveia e Jaguararí).
Ainda está difícil de encontrar o produto na Ceasa, mas chegada é garantida Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Chuvas
A baixa nas precipitações foi causada devido à ação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico e às condições não favoráveis no OceanoAtlântico, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuário do Rio Grande do Norte (Emparn). Segundo o setor de metereologia da Emparn, o período chuvoso deste ano começou em abril e deve se estender até meados de julho. O metereologista Gilmar Pristot afirma que o volume de chuvas no litoral e no agreste do estado estão dentro da normalidade, ao contrário do Seridó, Alto Oeste, e regiões de Assu e Mossoró.
O agrônomo Lindomar Izídio, da Emater, explica que esse ano "os plantios perenes tiveram um prejuízo em torno de 80%, em média". Ele afirma que em alguns municípios a perda foi bem maior, já em outros o plantio foi um pouco melhor. Outro setor que pode ser afetado pela falta de chuvas é a pecuária, principalmente no segundo semestre do ano. "A partir de julho a situação deve piorar pois é quando a pastagem vai começar a sumir", explica.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quarta-feira, 26 de maio de 2010
Edições anteriores
Selecione a data do
Diário que você
deseja visualizar
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br